ATENÇÃO

Carregador mais potente não garante recarga mais rápida de carro elétrico; entenda

Velocidade de recarga depende dos limites técnicos do veículo, da capacidade do carregador de bordo e da infraestrutura elétrica disponível


Redação
Publicado em 25/10/2026, às 04h00


Estação de carregamento
Em estações rápidas de corrente contínua (DC), a potência máxima aceita varia conforme o modelo - Reprodução/Pexels


A expansão dos carros elétricos no Brasil aumenta a procura por carregadores mais potentes.

No entanto, investir em um equipamento com maior capacidade não garante uma redução proporcional no tempo de recarga. A velocidade depende também dos limites técnicos de cada veículo e da infraestrutura elétrica disponível no local.

Segundo Paulo Sergio Fernandes Junior, CEO da Apollo Energy, empresa especializada em infraestrutura e tecnologia para recarga de veículos elétricos, a potência anunciada pelo equipamento precisa ser analisada em conjunto com as especificações do automóvel.

“Existe uma percepção de que um carregador de 300 kW necessariamente carregará qualquer carro muito mais rápido do que um equipamento de 120 kW. Se o veículo aceita no máximo 80 kW, porém, conectá-lo a uma estação de 300 kW não fará com que ele receba toda essa potência”, explica.

Limites do veículo influenciam a recarga

Nas estações rápidas de corrente contínua (DC), a potência máxima aceita varia conforme o modelo. O BYD Dolphin Mini, por exemplo, aceita cerca de 40 kW, enquanto o BYD Dolphin chega a aproximadamente 80 kW. Já o Volvo EX30 pode alcançar até 175 kW.

Isso significa que conectar um automóvel a uma estação mais potente do que sua capacidade de recebimento não garante uma recarga mais rápida. O veículo aproveitará apenas a potência que seu sistema permite.



Outro fator é que a entrada de energia não permanece no nível máximo durante toda a sessão. À medida que a bateria se aproxima de níveis mais altos de carga, o sistema reduz a potência para controlar a temperatura e preservar o conjunto.

Carregadores residenciais também dependem do veículo

Nos carregadores de corrente alternada (AC), comuns em residências, condomínios, empresas e estacionamentos, a limitação envolve o OBC (On-Board Charger), conhecido como carregador de bordo.

Esse componente converte a corrente alternada fornecida pela estação em corrente contínua, utilizada pela bateria. Por isso, sua capacidade determina quanto da potência disponibilizada pelo carregador o veículo consegue aproveitar.



O BYD Dolphin, por exemplo, tem capacidade de recarga AC de 6,6 kW. Dessa forma, não aproveita toda a potência de equipamentos de 11 kW ou 22 kW. Já o Renault Megane E-Tech aceita recarga AC de até 22 kW e pode utilizar uma potência maior quando conectado a uma infraestrutura compatível.

“Um consumidor pode investir em um carregador de 22 kW acreditando que terá uma recarga três vezes mais rápida do que em um equipamento de 7 kW. Se o OBC do veículo estiver limitado a 7 kW, esse ganho não acontecerá. Potências maiores também exigem infraestrutura elétrica compatível, especialmente em relação à disponibilidade de alimentação trifásica”, afirma Fernandes Júnior.

Planejamento pode reduzir custos de instalação

A escolha dos equipamentos também influencia os custos e a eficiência de projetos de recarga em condomínios, empresas e estacionamentos. Em locais onde os veículos permanecem parados por várias horas, instalar mais pontos de 7 kW pode ser economicamente mais vantajoso do que concentrar o investimento em poucos carregadores de 22 kW.



Nas estações de recarga rápida, a mesma lógica pode favorecer a instalação de mais equipamentos de potência intermediária em vez de uma única estação ultrarrápida. A decisão depende do perfil de uso e das necessidades dos veículos atendidos.

De acordo com Fernandes Júnior, o dimensionamento deve levar em conta a quantidade de automóveis, a demanda simultânea por recarga, o tempo médio de permanência e a capacidade elétrica disponível.

“O melhor carregador não é necessariamente o de maior potência. É aquele que faz sentido para os veículos atendidos e para a rotina daquele local. Avaliar essas variáveis antes da instalação evita um investimento maior que, na prática, pode não resultar em uma recarga mais rápida”.



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