RISCO DE DOENÇAS

Pombos da Baixada Santista são alvo de estudo em universidade de Santos

Estudo apontou que número de aves aumentou; derramamento de grãos no porto é um dos grandes responsáveis pela alimentação das aves


Redação
Publicado em 24/03/2025, às 09h53

FacebookTwitterWhatsApp

Foi descoberta a presença de agentes naturais do trato intestinal humano nas fezes dos pombos - Imagem ilustrativa/Pixabay
Foi descoberta a presença de agentes naturais do trato intestinal humano nas fezes dos pombos - Imagem ilustrativa/Pixabay


O professor e médico veterinário Eduardo Ribeiro Filetti, junto dos alunos da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos, realizou um estudo sobre pombos na Baixada Santista, em 121 locais, nas cidades de Santos e São Vicente, no período de fevereiro a dezembro de 2024. A equipe reuniu 517 amostras de fezes, coletadas após a alimentação das aves. Filetti explicou como as amostras foram colhidas: “Colocávamos plástico de 3m×6 metros no chão com comida para as aves, das 6h às 8h da manhã, principalmente nos finais de semana, pois o número de pessoas nestes dias e horários é menor e com menos interferência”.

O veterinário destacou que, segundo o estudo, o número de aves da região aumentou, devido principalmente à grande oferta de grãos no porto de Santos e, também, alimentação fornecida pelas pessoas, pois, com isso, as aves tendem a se reproduzir mais. “Se existe abundância de alimentos e grãos na área portuária, apesar dos recentes esforços do setor para combater esta prática, também tem muitos moradores em situação de rua que sempre bagunçam os lixos da região, colocando alimentos nas ruas”.

O professor ainda explicou: “Normalmente, essas aves, descendentes do Columba livia, se alimentam de grãos e farelos, mas, por conta da proximidade com os seres humanos, se acostumaram a comer legumes, frutas, verduras e, até mesmo, resto de lixo, explicando o número alto de animais na região. Lembrando sempre que o derramamento de grãos no porto é um dos grandes responsáveis pela alimentação das aves”.



Além disso, foi descoberta a presença dos agentes Endolimax nana e Entamoeba coli, naturais do trato intestinal humano, nas fezes dos pombos, o que comprova que essas aves se  alimentam de lixo e fezes produzidas por humanos. Outros protozoários, como Chilomastix sp, Giardia sp e Cryptosporidium spp, comuns em verduras e frutas mal lavadas; Ascaris lumbricoides, bactéria causadora da salmonelose; e Ancylostoma duodenale, parasita comum em fezes de cães e gatos não vermifugados, também foram encontrados. Todos eles podem causar problemas em pessoas com baixa resistência, causando diminuição das defesas orgânicas no corpo.

O médico veterinário alertou que o grande risco de doenças oferecidas por esses animais vem das fezes secas (em forma de poeira), que podem conter fungos de difícil diagnóstico, causar doenças graves como histoplasmose e  criptococose. Já as fezes molhadas podem oferecer riscos leves, como conjuntivites, otites e dermatites.

veterinário Eduardo Ribeiro Filetti
Estudo concluiu que é necessário diminuir a reprodução dessas aves, de  forma segura, sem causar prejuízos ou sofrimentos - Divulgação/Unisanta



Paralelo ao estudo, o professor e os alunos também fizeram pesquisa com a população, para identificar quem gosta das aves e quem as alimenta. Os resultados mostraram que 60% dos entrevistados gostam dos pombos, mas acham que eles estão em um número acima do desejado; 26% não gostam e não queriam que elas estivessem nas cidades; 14% não têm opinião definida, ou não quiseram comentar; e 18 % afirmaram que alimentam as aves com frequência.

O estudo concluiu que é necessário diminuir a reprodução dessas aves, mas de  forma segura, sem causar prejuízos ou sofrimentos. Algumas das soluções incluem: diminuir a fonte de alimentação na área portuária, fazer pombais alvos, onde os ovos seriam trocados por artificiais, e fornecer alimentação com anticoncepcionais.

Somos contra qualquer ação que cause sofrimento para as aves, pois o aumento exagerado do número de pombos foi causado por ações humanas, como o oferecimento de alimentação em abundância – já que, quanto mais alimentos, as aves se reproduzem em maior número – e com a diminuição da Mata Atlântica, reduz o número de predadores, como falcões e gaviões, nas cidades”, finalizou Filetti.

Com informações de Universidade Santa Cecília (Unisanta)



Para mais conteúdos:

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!