EM DECOMPOSIÇÃO

Pescador encontra jacaré morto e sem pata em mangue, no litoral de SP

Animal de 2,10 metros, em decomposição, boiava de barriga para cima; biólogo acredita que seja da espécie jacaré-do-papo-amarelo, nativa da região

Animal boiava de barriga para cima, estava inchado e sem uma das patas dianteiras - Foto: Marcelo Rodrigues
Animal boiava de barriga para cima, estava inchado e sem uma das patas dianteiras - Foto: Marcelo Rodrigues


O pescador Marcelo Rodrigues levou um susto na manhã desta quarta-feira (9) ao se deparar com o corpo de um jacaré no rio Barra do Una, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. O animal, com cerca de 2,10 metros de comprimento, boiava de barriga para cima, estava inchado e sem uma das patas dianteiras.

Marcelo contou que saiu para retirar suas redes por volta das 6 horas, como faz rotineiramente. Ao retornar, notou algo branco que flutuava perto da encosta do mangue. Ao se aproximar com o barco, percebeu que se tratava de um jacaré já em estado avançado de decomposição. Ele decidiu amarrar uma corda no animal e levá-lo até a margem, a cerca de um quilômetro de distância.

Segundo o pescador, o jacaré apresentava sinais de cegueira e a pata amputada já parecia cicatrizada, o que indica um possível confronto anterior com outro animal. "Acho que foi uma briga antiga, talvez com outro jacaré ou outro animal grande", relatou Marcelo, que acionou  Vanessa Cordeiro, gestora da Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Barra do Uma.



O biólogo Ed Ventura, coordenador do Instituto Bioventura, que monitora a Mata Atlântica da região, analisou as imagens a pedido da reportagem e afirmou que o animal provavelmente pertencia à espécie jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris), comum em áreas de mangue e rios da Jureia-Itatins. Segundo ele, o inchaço na boca é típico do processo natural de decomposição.

media aproximadamente 2,10 metros de comprimento - Foto: Marcelo Rodrigues
Media aproximadamente 2,10 metros de comprimento - Foto: Marcelo Rodrigues

Marcelo também respondeu a críticas que circularam nas redes sociais após a divulgação das fotos. Algumas pessoas sugeriram que a corda utilizada para puxar o jacaré poderia ter causado sua morte. "Não foi a corda. Usei para levar o bicho até a areia, já estava morto e em decomposição". Ele disse ainda que evitou tocar diretamente no animal por receio de contaminação. "Coloquei um pedaço de madeira na boca para medir o tamanho, mas não quis meter a mão. Vai saber o tipo de bactéria que ele tinha", explicou.



Por meio de nota enviada à reportagem na manhã desta quinta-feira (10), a Fundação Florestal informou que devido ao avançado estado de decomposição, não foi possível determinar a causa da morte. Seguindo os protocolos recomendados, o animal foi enterrado no próprio local.

A Fundação Florestal reforçou que, ao se deparar com animais mortos em ambientes naturais, não se deve tocá-los nem os remover do local. A recomendação é comunicar imediatamente os órgãos ambientais competentes para que sejam adotadas as medidas adequadas.

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