Em nota ao portal Costa Norte, a Cetesb apontou as causas da repetição de águas inadequadas para banho

Algumas praias do litoral paulista costumam frequentar a lista semanal de pontos impróprios divulgada pela Cetesb, resultado de fatores estruturais e ambientais que impactam a qualidade da água.
A classificação é feita com base em análises semanais, que consideram a presença de bactérias ligadas ao esgoto e condições recentes do ambiente, indicando possíveis riscos à saúde dos banhistas.
Uma praia é classificada como imprópria quando a qualidade da água é considerada inadequada para banho. Essa classificação indica risco de contaminação por microrganismos.
O principal parâmetro usado é a presença de bactérias ligadas ao esgoto. Entre elas, o enterococcus é o indicador mais relevante. Segundo a Cetesb, esse tipo de bactéria aponta contaminação recente por esgoto doméstico, o que pode ser prejudicial para a saúde humana.
A Cetesb segue a Resolução Conama nº 274/2000 para classificar as praias. Essa norma define limites seguros para a água do mar.
Técnicos coletam amostras de água todas as semanas. Os testes são feitos em laboratório próprio. A classificação final considera a média das últimas cinco semanas. Com base nisso, a praia pode ser definida como “própria” ou “imprópria”.
O enterococcus está presente em fezes humanas. Sua presença indica poluição por esgoto. Altos níveis dessa bactéria tornam a água inadequada. Isso aumenta o risco de doenças para quem entra no mar.
A principal causa é o despejo irregular de esgoto, comum em áreas sem rede de coleta adequada. A poluição é levada por rios e córregos até o mar, o que impacta diretamente a qualidade da água nas praias.
O crescimento urbano desordenado agrava o problema, assim como as ligações clandestinas, que contribuem para a contaminação.
Algumas praias apresentam maior recorrência de classificações negativas devido a fatores geográficos e estruturais. O descarte irregular de esgoto em cursos d’água (rios e córregos que deságuam no mar), muitas vezes vindo de áreas sem cobertura de rede coletora ou ocupações informais, é a causa principal", afirma a Cetesb em nota ao portal Costa Norte.
O período de verão concentra mais casos de praias impróprias. Isso ocorre pelo aumento de turistas nas cidades litorâneas. A infraestrutura pode não suportar a demanda, assim, há sobrecarga no sistema de esgoto.
Chuvas fortes também pioram a situação, já que a água da chuva carrega sujeira das ruas para o mar.
O verão se mantém como o período mais crítico. Nesta época, a combinação de chuvas volumosas com o aumento repentino da população flutuante (turistas) nas cidades litorâneas pode sobrecarregar os sistemas de coleta, além de levar a poluição das ruas diretamente para o mar por meio das galerias de águas pluviais", acrescenta a Cetesb.
Vale citar que a Cetesb adverte que não é recomendado o banho de mar 24 horas após chuvas. Também não é aconselhado banhar-se em canais, córregos e rios que deságuam no mar. Evite ainda a ingestão da água do mar.
Crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade são as mais propensas a desenvolver doenças, ou infecções, após nadarem em águas contaminadas. Além da gastroenterite, outras doenças podem ser contraídas, como infecções nos olhos, ouvidos, nariz e garganta.
A Cetesb atualiza os dados semanalmente. As informações estão disponíveis no site oficial. Também é possível consultar pelo aplicativo da Cetesb-SP.
Na areia, bandeiras indicam a condição da água. A cor verde mostra praia própria; a vermelha indica praia imprópria.
A ampliação da rede de esgoto é fundamental para reduzir o número de praias impróprias, assim como o combate às ligações clandestinas. A gestão adequada do lixo urbano também contribui para evitar a contaminação, diminuindo o impacto nos rios e no mar.
Além dessas medidas, acompanhar a qualidade da água e a situação das praias é essencial para evitar riscos.