Vídeo gravado no Rio de Janeiro reforça a importância de saber como agir ao encontrar pinguins nas praias do litoral paulista durante o inverno

Um vídeo que mostra uma mulher ao retirar um pinguim do mar e segurar o animal no colo, no Rio de Janeiro, repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a forma correta de agir diante de animais silvestres.
Embora o caso tenha ocorrido fora de São Paulo, o episódio serve de alerta para banhistas do litoral paulista, onde pinguins são avistados todos os anos durante o inverno.
Nesta época do ano, a presença desses animais nas praias do estado não é incomum. Ao encontrá-los, muitas pessoas acreditam que o melhor a fazer é devolvê-los ao mar ou tentar ajudá-los por conta própria. No entanto, especialistas alertam que essas atitudes podem colocar em risco a saúde do animal e reduzir suas chances de sobrevivência.
Os pinguins que chegam ao litoral brasileiro são, em sua maioria, da espécie pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus). Eles vivem na Patagônia, região localizada entre a Argentina e o Chile, e migram para áreas mais ao norte durante o inverno em busca de alimento, acompanhando as correntes marítimas frias.
Grande parte dos animais encontrados nas praias brasileiras é formada por indivíduos jovens que fazem sua primeira migração. Alguns chegam debilitados, desnutridos ou cansados após percorrer milhares de quilômetros pelo oceano. Outros apenas utilizam a faixa de areia para descansar antes de continuar a viagem.
Ao avistar um pinguim na praia, a principal recomendação é manter distância e evitar qualquer tipo de contato com o animal.
As orientações são:
Mesmo que o pinguim pareça debilitado, o atendimento deve ser feito apenas por profissionais capacitados, que saberão avaliar seu estado de saúde e definir o procedimento mais adequado.
Algumas atitudes, embora pareçam uma forma de ajudar, podem prejudicar o animal.
Evite:
Além de provocar estresse, o contato direto pode agravar o estado de saúde do pinguim e dificultar o trabalho das equipes responsáveis pelo resgate.
Um dos erros mais comuns é acreditar que o animal precisa voltar imediatamente para a água. Na realidade, um pinguim encontrado na areia pode estar apenas descansando depois de uma longa migração, ou aguardando o momento adequado para retornar ao oceano.
Quando o animal está debilitado, forçá-lo a voltar ao mar pode comprometer sua recuperação e diminuir suas chances de sobrevivência. Por isso, somente profissionais especializados devem decidir se ele está apto a retornar ao ambiente marinho.
No litoral paulista, o resgate de animais marinhos é feito por equipes especializadas. Ao encontrar um pinguim, a orientação é entrar em contato com os órgãos ambientais da região ou com instituições responsáveis pelo monitoramento da fauna marinha.
Também é possível acionar a Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros ou a prefeitura do município, que poderão encaminhar a ocorrência aos profissionais responsáveis pelo atendimento.
Os pinguins são animais silvestres protegidos pela legislação brasileira. A captura, o transporte e o manejo sem autorização dos órgãos competentes podem configurar infração administrativa e, dependendo das circunstâncias, crime ambiental previsto na Lei nº 9.605, de 1998.
Além das consequências previstas na legislação, especialistas reforçam que a melhor forma de ajudar um pinguim é evitar qualquer intervenção direta e permitir que profissionais capacitados façam o resgate, quando necessário.
Os registros de pinguins no litoral paulista costumam aumentar entre os meses de inverno, período em que a espécie migra em busca de alimento. Por isso, é comum que moradores e turistas encontrem esses animais descansando na areia.