Animais foram resgatados entre junho e setembro, no litoral paulista; soltura marca o sucesso da reabilitação e o retorno à rota migratória

Dezesseis pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) foram devolvidos à natureza, na terça-feira (28). A soltura ocorreu nas proximidades do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, no litoral paulista. A ação foi promovida pelo Instituto Gremar, como parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
A operação contou com o apoio da Fundação Florestal e da operadora de mergulho Pé de Pato. Os animais haviam sido resgatados entre junho e setembro deste ano, em praias do litoral centro-sul de São Paulo, de Bertioga a Peruíbe.
Os pinguins encalharam durante o período migratório anual. Eles passaram por processo de recuperação no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos do Gremar, no Guarujá (SP).
Durante o tratamento, os pinguins receberam cuidados intensivos. O processo incluiu estabilização, recuperação nutricional e fortalecimento muscular. Testes de impermeabilização das penas também foram cruciais.
Essas etapas garantiram que as aves estivessem aptas a retornar ao alto-mar. Nas semanas finais, os pinguins ocuparam recintos externos. Esses espaços possuíam tanques de grande volume, simulando as condições do oceano.
O Gremar reforça que encontrar pinguins debilitados na praia exige cuidados. Não se deve tocar, devolver ao mar ou causar aglomerações. O correto é acionar imediatamente uma equipe especializada pelo telefone 0800 642 3341 (válido para Santos, São Vicente, Guarujá e Bertioga).
Com a chegada do inverno no Hemisfério Sul, os pinguins-de-magalhães iniciam sua migração anual. Eles partem de colônias na Argentina, Chile e ilhas Malvinas. Percorrem milhares de quilômetros em busca de alimento no litoral brasileiro.
Nessa jornada, enfrentam desafios como correntes marinhas desfavoráveis e tempestades. Impactos de atividades humanas, como redes de pesca e lixo, também são ameaças. Esses fatores podem desviar os pinguins, especialmente os juvenis, deixando-os debilitados e propensos a encalhes.
Segundo informações do governo federal, o pinguim-de-magalhães é uma ave de porte médio, pesando entre 4,5kg e 6kg. É a espécie de pinguim mais abundante em áreas temperadas e sua população ultrapassa 2,6 milhões de animais em idade reprodutiva.
A base de sua dieta consiste em peixes como anchoíta e sardinha, além de lulas. No período migratório em águas brasileiras, a dieta tende a ser mais diversa, conforme dados governamentais.
O Instituto Gremar é uma das instituições executoras do PMP-BS. O projeto monitora os possíveis impactos das atividades de petróleo e gás sobre a fauna marinha. A iniciativa é uma condicionante do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama.
O PMP-BS abrange desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ). O Gremar é responsável pelo Trecho 9, entre São Vicente e Bertioga. Mais informações sobre o projeto estão disponíveis em www.comunicabaciadesantos.com.br.