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Coral invasor no litoral de SP: técnica reduz avanço da espécie em Alcatrazes

Método experimental com ar comprimido impediu a regeneração do coral invasor em Alcatrazes e pode reforçar ações de conservação marinha


Redação
Publicado em 29/07/2026, às 13h34

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Coral invasor no litoral de SP: técnica reduz avanço da espécie em Alcatrazes
Pesquisadores testaram o jateamento de ar comprimido em colônias de coral-sol no arquipélago de Alcatrazes - Reproduçã/LabecMar/Unifesp


Uma técnica experimental desenvolvida por pesquisadores paulistas pode representar um novo aliado no combate ao coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha em diferentes pontos da costa brasileira.

O método utiliza um jato de ar comprimido para remover o tecido vivo das colônias, e foi testado com sucesso no arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo.

Os resultados indicaram que, após o procedimento, os organismos não voltaram a se regenerar, diferentemente do que pode ocorrer com o método convencional de remoção mecânica.



O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e publicado na revista científica Ecological Solutions and Evidence.

Método busca reduzir avanço da espécie invasora

O coral-sol é considerado uma espécie exótica invasora e compete por espaço com organismos nativos, alterando o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Em Alcatrazes, o controle da espécie é feito há mais de uma década por meio da remoção física das colônias.

Tradicionalmente, mergulhadores utilizam marreta, talhadeira ou martelete pneumático para destacar os corais das rochas. No entanto, esse processo pode deixar fragmentos de tecido aderidos ao substrato, permitindo que o organismo volte a crescer.



Além disso, as colônias removidas precisam ser retiradas da água para receber tratamento antes que seus esqueletos possam retornar ao ambiente marinho.

A nova técnica elimina essas etapas ao remover apenas o tecido vivo do coral. O esqueleto permanece no fundo do mar e passa a ser ocupado rapidamente por espécies nativas, reduzindo as chances de regeneração do coral invasor.

Como funciona o jateamento

Para aplicar o método, os pesquisadores adaptaram uma pistola de jato conectada ao mesmo cilindro de ar comprimido utilizado pelos mergulhadores durante as operações subaquáticas.



Ao direcionar o jato para as colônias, o tecido mole do coral é removido, enquanto o esqueleto calcário permanece fixado na rocha. Segundo os autores do estudo, a técnica também apresenta outra vantagem importante: como não há fragmentação das colônias, diminui o risco de propagação involuntária da espécie durante o manejo.

Ideia surgiu durante mergulhos em Alcatrazes

A proposta nasceu a partir de observações feitas durante mergulhos no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Os pesquisadores perceberam que algumas colônias apresentavam sinais de branqueamento em locais onde bolhas de ar ficavam presas sob as rochas. A partir dessa observação, surgiu a hipótese de que o ar comprimido poderia ser utilizado para eliminar o tecido vivo do coral-sol.



Após revisar estudos científicos, a equipe constatou que o uso de jatos de ar havia sido empregado apenas em experimentos de laboratório, sem registros de aplicação no controle de corais invasores em ambiente natural.

Testes apontaram resultados positivos

Os pesquisadores aplicaram a técnica em 48 colônias de coral-sol no arquipélago de Alcatrazes e mantiveram outras 14 sem intervenção para comparação. As áreas foram monitoradas logo após o procedimento, depois de 30 dias e novamente após 180 dias.

Enquanto as colônias que não receberam tratamento continuaram se expandindo, a área ocupada pelos corais diminuiu nos locais onde foi utilizado o jato de ar comprimido. Além disso, os esqueletos das colônias tratadas passaram a ser colonizados rapidamente por algas, dificultando que o coral invasor voltasse a ocupar aquele espaço.



Técnica ainda está em fase experimental

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que o método ainda é experimental. Os testes foram feitos em algumas dezenas de colônias dentro de uma área restrita do arquipélago de Alcatrazes. Por isso, ainda serão necessários novos estudos para avaliar a eficiência da técnica em regiões maiores, onde as invasões podem envolver milhares de colônias.

Segundo os autores, a pesquisa representa um passo importante na busca por estratégias mais eficazes para conter a expansão do coral-sol em áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade marinha brasileira.

* Com informações - Agência Fapesp



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