INDAIÁ

Baleia-jubarte é encontrada morta em praia de Caraguatatuba

Animal estava em avançado estado de decomposição na praia do Indaiá; ocorrência foi atendida pelo Instituto Argonauta nesta quarta-feira


Redação
Publicado em 22/10/2025, às 14h44

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Baleia-jubarte é encontrada morta em praia de Caraguatatuba
Instituto Argonauta coletou dados para estudos sobre a espécie, que está em migração de retorno para águas frias - Reprodução/Redes Sociais


Uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) foi encontrada morta na praia do Indaiá, em Caraguatatuba, na manhã desta quarta-feira (22). O animal estava em avançado estado de decomposição, dificultando a determinação da causa da morte.

A equipe do Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha, que executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), foi acionada. Foram coletados dados biológicos e registradas informações para subsidiar estudos sobre a espécie na região. Após os procedimentos técnicos, a prefeitura de Caraguatatuba enterrou animal no local, seguindo protocolos ambientais.

Animal foi enterrado no local de encalhe | Reprodução/Redes Sociais
Animal foi enterrado no local de encalhe | Reprodução/Redes Sociais



Comportamento migratório e ocorrências

O Instituto Argonauta ressalta que, nesta época do ano, as baleias-jubarte estão retornando para suas áreas de alimentação. Essas áreas ficam nas águas frias do Atlântico Sul. O retorno ocorre após a temporada reprodutiva, nas águas mais quentes do litoral brasileiro.

Durante esse período migratório, informou o Instituto Argonauta, é comum observar  aumento nas observações da espécie. Consequentemente, também há mais registros de encalhes naturais, ou acidentais, ao longo da costa.

Baleia-jubarte: características e biologia

Segundo o Projeto Baleia Jubartea espécie pode atingir até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas.



São facilmente identificáveis pela coloração quase negra do corpo, pela nadadeira dorsal típica e pelas grandes nadadeiras peitorais, que podem ser brancas e ter até um terço do comprimento do corpo. A face inferior da cauda possui padrões únicos de branco e preto, permitindo a identificação individual de cada animal.

O nome científico da espécie, Megaptera novaeangliae, significa "grandes asas da Nova Inglaterra", uma referência às suas enormes nadadeiras peitorais e à região onde foi identificada pela primeira vez.

As jubartes fazem parte do grupo dos misticetos, ou "baleias de barbatana". Em vez de dentes, elas possuem cortinas de cerdas filtradoras (barbatanas) em ambos os lados da boca. Esse aparato permite que se alimentem de pequenos organismos do plâncton marinho, como o krill, crustáceo abundante nos mares antárticos, e pequenos peixes de cardume. Elas abrem a boca e expandem suas pregas ventrais, "abocanhando" grande quantidade de água, que é expelida pelas barbatanas, retendo o alimento.



Migração, distribuição e recuperação populacional

As baleias-jubarte são animais altamente migratórios. A população que se reproduz na costa brasileira migra anualmente para os mares antárticos para se alimentar no verão, e retorna para nossas águas no inverno e primavera para acasalar, parir e amamentar seus filhotes. É uma jornada de ida e volta de cerca de 9.000km.

Conforme destacado pelo Projeto Baleia Jubarte, a população brasileira da espécie, antes distribuída do Rio Grande do Norte a São Paulo, atualmente se concentra principalmente no Banco dos Abrolhos, entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Com a recuperação populacional, avistagens ao norte e ao sul dessa região, como na Bacia de Campos e em Ilhabela, tornaram-se mais frequentes.

Estima-se que a população brasileira de jubartes esteja hoje com mais de 30 mil indivíduos. Esse número representa uma franca recuperação da caça predatória que sofreram, em comparação com cerca de 1.000 animais em 1988, quando o Projeto Baleia Jubarte iniciou suas atividades. Em 2014, a espécie foi retirada da Lista Oficial de Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção.



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