Aluguéis disparam no litoral norte e pressionam moradores, trabalhadores e setor turístico

Alta nos preços transforma mercado imobiliário da região e dificulta permanência de famílias nas cidades litorâneas


Reginaldo Pupo
Publicado em 31/05/2026, às 01h25

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Prédios na avenida da praia, em Caraguatatuba, onde valor dos aluguéis registrou forte alta nos últimos anos - Reginaldo Pupo
Prédios na avenida da praia, em Caraguatatuba, onde valor dos aluguéis registrou forte alta nos últimos anos - Reginaldo Pupo


O sonho de viver perto da praia tem custado cada vez mais caro no litoral norte paulista. Em cidades como Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba, o valor dos aluguéis registrou forte alta nos últimos anos, impulsionado pelo crescimento do turismo, avanço dos imóveis de temporada e aumento da procura por moradia no litoral.

Segundo o Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), o aluguel residencial tradicional teve alta média de 6% a 9,44% ao ano, acompanhando a tendência do estado. Já o aluguel de temporada, as altas são voláteis, podendo registrar disparadas de até 225% em feriados e finais de ano, como Natal e Réveillon.

O cenário tem provocado impactos diretos na vida de moradores, trabalhadores do setor de serviços e até de empresários, que enfrentam dificuldades para contratar funcionários devido à falta de moradias com preços acessíveis. Em muitos bairros, encontrar uma casa ou apartamento para aluguel anual se tornou uma tarefa cada vez mais difícil.



Dificuldades

A gerente de loja Izabel Damares Rocha é uma das novas moradoras do litoral norte de São Paulo. Ela afirma que tenta, há três meses, encontrar uma casa com valor médio de locação de R$ 1,5 mil, mas que ainda não conseguiu.

Os valores (dos aluguéis) estão um absurdo. Estão pedindo, em média, entre R$ 2,5 a R$ 3,5 mil em casas com dois quartos, em bairros distantes, pois na região central é impossível achar por esses valores, que estão bem fora da minha realidade”, explica ela, que precisou se mudar para Caraguatatuba devido a uma transferência da empresa onde trabalha.

“Estou quase pedindo à direção (da empresa) para me mandarem de volta para Osasco, pois eles não pensaram nesta questão da dificuldade em encontrar moradia ao me transferirem para cá”. Segundo ela, enquanto não encontra uma casa que seja compatível com seu orçamento, está morando provisoriamente em Caraguatatuba na casa de uma amiga.



Em regiões próximas às praias e áreas centrais, os preços praticamente dobraram em poucos anos. Imóveis considerados simples passaram a ter valores semelhantes aos praticados em grandes centros urbanos do estado. Para muitas famílias, a alternativa tem sido migrar para bairros mais afastados, ou até deixar a cidade, como é o caso da gerente Izabel Rocha.

Efeito pandemia

A valorização imobiliária ganhou força principalmente após a pandemia, quando milhares de pessoas passaram a buscar cidades litorâneas em busca de qualidade de vida e trabalho remoto. Ao mesmo tempo, plataformas de aluguel por temporada aumentaram a rentabilidade de imóveis voltados ao turismo, reduzindo a oferta de contratos residenciais tradicionais.

O reflexo também atinge trabalhadores essenciais para a economia local. Funcionários de hotéis, restaurantes, supermercados e comércios relatam dificuldade para permanecer nas cidades onde trabalham. Em alguns casos, empregados dividem moradias entre várias pessoas para reduzir custos.



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