SEM BEBER ÁGUA

Drama: sem poder chorar ou tomar banho, adolescente descobre ser alérgica à água

Doença é rara e sintomas atinge uma a cada 200 milhões de pessoas; Abigail está a um ano sem tomar um copo de água


Lenildo Silva
Publicado em 16/05/2022, às 16h34 - Atualizado às 17h08

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Sem poder chorar ou tomar banho, adolescente descobre ser alérgica à água - Reprodução Daily Mail
Sem poder chorar ou tomar banho, adolescente descobre ser alérgica à água - Reprodução Daily Mail


Uma adolescente alérgica à água afirma que não pode chorar ou tomar banho regularmente porque tem erupções cutâneas dolorosas. O líquido mais importante para a maioria dos seres humanos parece ser 'ácido' em seu corpo.

Abigail Beck, de 15 anos, vive com os sintomas há três anos e foi diagnosticada com uma doença chamada urticária aquagênica em abril deste ano, depois que seus sintomas se tornaram mais severos.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, na última semana, a adolescente moradora da cidade de Tucson, Arizona, nos Estados Unidos, disse que quando chove ou toma banho a água faz arder todo seu corpo, forçando-a a se lavar apenas uma vez a cada dois dias.



Extremamente rara, - estimada em uma a cada 200 milhões de pessoas - a doença causa a formação de urticária (irritação cutânea caracterizada por lesões avermelhadas e levemente inchadas, como vergões, que aparecem na pele e coçam muito) quando a pele entra em contato com a água.

O caso fica ainda mais sério quando o assunto é consumir água, segundo a americana, faz mais de um ano que ela não toma um copo de água porque isso a faz vomitar. Em vez disso, ela prefere bebidas energéticas ou suco de romã, que têm menor teor de água. Abigail conta ainda que os médicos foram forçados a dar-lhe pílulas de reidratação e estão considerando dar-lhe intravenosas regulares para obter mais fluídos no futuro, se sua condição não melhorar.

Ainda de acordo com o jornal britânico, a adolescente sentiu os sintomas agonizantes pela primeira vez em 2019, entre 12 e 13 anos, quando começou a puberdade. Embora menos de 100 casos tenham sido registrados, normalmente ocorrem durante este período crucial de desenvolvimento. Abigail revelou ainda que chegou a adiar a ida ao médico por medo de pensarem que ela era "louca".



"Demorou muito tempo a ser diagnosticada. Ela [doença] progrediu lentamente e começou a piorar com o tempo. Quando chovia, doía muito, parecia ácido. Achei que fosse normal, então perguntei à minha mãe se a chuva parecia ácida para ela quando chovia, e ela disse que não."

Nas poucas vezes em que consegue beber água, a adolescente tem que tomar anti-histamínicos e esteroides para evitar uma reação alérgica.

Para ela, a água se tornou algo traumático. "Não tenho ideia do que pode acontecer, o que é assustador para mim. Eu nunca tenho vontade de beber água, não quero beber, o gosto é ruim para mim."



O que é a urticária aquagênica?

A urticária aquagênica foi descrita pela primeira vez em 1964 por Shelley e Rawnsley. É uma forma rara de urticária física, caracterizada pela formação de lesões urticariformes perifoliculares após contato com água, independente da temperatura, segundo um artigo do periódico científico Annals of Dermatology.

Segundo o estudo, existem entre 50 e 100 doentes conhecidos em todo o mundo. As mulheres são mais propensas a apresentar sintomas, que geralmente começam por volta da puberdade. Causa vermelhidão na pele, inchaço e coceira intensa. As lesões são pequenas e desaparecem rapidamente, após 30 a 60 minutos.

“A causa da urticária aquagênica não é clara, mas pode ser devido a uma substância na água que desencadeia uma resposta imune. A maioria dos casos ocorre aleatoriamente, sem história familiar da doença. Devido à raridade da condição, pouco se sabe sobre a melhor forma de tratá-la. As terapias normalmente incluem anti-histamínicos, tratamentos com luz UV, esteróides, cremes que atuam como uma barreira e banhos de bicarbonato de sódio”, aponta o artigo.



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