O golpe é tão avançado que, quando o usuário tenta utilizar a biometria para destravar o celular, as informações biométricas também são roubadas

Um comerciante de Praia Grande, litoral de SP, foi vítima de um golpe virtual neste sábado, 28 de agosto. Esta ação criminosa pode ser considerada uma das mais avançadas do mundo. Trata-se da invasão oculta dos aparelhos celulares das vítimas através de um vírus, que permite aos hackers controle total.
O caso pode estar relacionado à uma nova família de vírus, desenvolvido por hackers com o objetivo específico de invadir aparelhos celulares em busca de informações e controle total dos aplicativos bancários, mesmo que o cliente não esteja usando o aparelho.
A empresa de cibernética Kaspersky divulgou um comunicado, em novembro de 2020, no qual alertava para a ameaça causada pelo vírus Guildma, desenvolvido especificamente para celulares, que tinha como um dos principais alvos o Brasil.
Este tipo de vírus utiliza o acesso remoto para controlar o celular infectado. Desta maneira os criminosos conseguem realizar transações bancárias ilegais usando o próprio celular da vítima, o que evita a detecção da fraude.
Faça parte do nosso grupo no WhatsApp ➤ http://bit.ly/CostaNortesonoticiasE receba matérias exclusivas. Fique bem informado! 📲
O vírus consegue desbloquear o celular da vítima, mesmo que o aparelho possua senha de bloqueio. Para esconder o golpe os hackers deixam outro aplicativo rodando em tela cheia enquanto realizam transações.
O golpe é tão avançado que, quando o usuário tenta utilizar a biometria para destravar o celular, os hackers conseguem inclusive roubar também as informações biométricas da vítima.
Neste caso, ocorrido no último sábado, 28, a vítima teria recebido uma ligação proveniente do estado de Minas Gerais, de alguma pessoa se passando por uma operadora de cartão de crédito perguntando se o comerciante reconhecia algumas transações feitas em seu nome. O comerciante foi orientado a entrar em contato novamente com a operadora, mas desta vez por meio de um telefone fixo.
Seguindo as orientações dos golpistas, a vítima entrou em contato com o número da central de atendimento presente no verso de seu cartão e seguiu as orientações.
Quando perguntado pela atendente se possuía aplicativo bancário em seu celular foi que o comerciante percebeu que algo de estranho estaria acontecendo, ao abrir o aplicativo a tela do celular se movimentava sozinha.
Preocupado com a movimentação, o comerciante chegou a desinstalar e instalar novamente o aplicativo. O atendente do banco disse para a vítima que não se preocupasse com a movimentação sozinha da tela, pois o banco se responsabilizaria por qualquer movimentação ilícita em sua conta, e que iria registrar ocorrência para a vítima.
Por solicitação do atendente a vítima acessou o seu Pix, quando verificou que a tela também se movimentava sozinha, constatando um operação no valor de R$ 480,00.
Em seguida o atendente disse à vítima para acessar outro aplicativo, mas a vítima achou estranho e não o fez. O comerciante constatou três operações nos valores de R$ 2.350,00, R$ 1.000,00 e R$ 480,00, totalizando um prejuízo de R$ 3.830,00.
A vítima afirmou ainda que, com o seu celular em mãos, verificou que alguém estava acessando a galeria de fotos, pois a tela ainda se movia para cima e para baixo, como se alguém estivesse visualizando as fotos. Após isso o celular ficou mudo.
O comerciante registrou um boletim de ocorrência.
Leia também: Aposentado cai no golpe do WhatsApp clonado após anúncio na OLX
É muito importante lembrar que este tipo de golpe, na verdade, começa muito antes de qualquer ligação.
Ele se inicia quando o usuário abre algum arquivo infectado, anexado a algum e-mail, enviado por WhatsApp ou quando a vítima clica em links de algum site inseguro. É neste momento que o Guildma é executado e começa a vasculhar o celular ou computador em busca de arquivos relacionados a aplicativos bancários e até mesmo navegadores com internet bankings abertos.
Caso o vírus não encontre os principais alvos, ele vai atrás de serviços como Netflix, Amazon e Facebook.
Para se proteger do Guildma ou de qualquer outro vírus, é muito importante não abrir arquivos anexos ou links em e-mails de lojas ou bancos. Verifique sempre se o endereço de origem corresponde realmente ao emissor do e-mail.
Órgãos públicos como a Justiça Eleitoral não costumam enviar mensagens eletrônicas avulsas. Desconfie sempre.