Passagem estava interditada desde 25 de setembro, em decorrência de obras de ramal ferroviário; veja detalhes da travessia

A passagem aquaviária no rio dos Soldados, conhecida como túnel das catraias, foi liberada nesta quinta-feira (10). Com isso, em condições adequadas de maré, voltam a ser feitos, na Bacia do Mercado, o embarque e desembarque dos passageiros da travessia Santos-Guarujá (Vicente de Carvalho), interditados desde desde 25 de setembro, devido a obra de ramal ferroviário para o terminal da Cofco.
A obra incluiu reforço do pontilhão da linha férrea interna sobre o rio dos Soldados (conhecido como canal do mercado), na avenida Ulrico Mursa, via interna do porto de Santos. A obra, prevista para três semanas, foi concluída antes do prazo, segundo informação da Autoridade Portuária de Santos (APS).

Oficialmente, as catraias existem desde 1951, quando foi registrado, em ata, o início da atividade de transporte de pessoas pela Associação dos Catraieiros de Santos e Vicente de Carvalho. Do lado de Santos, a travessia começa na região do Mercado em direção a Vicente de Carvalho, no Guarujá; o percurso dura em média 10 minutos, cada unidade suporta até 17 pessoas e dispõe de salva-vidas. Nos horários de pico, o movimento é frenético. Mal sai uma, outra já encosta no pequeno píer de atracação. O serviço é oferecido 24 horas, inclusive sábados, domingos e feriados.
++Travessia de barcas entre Santos e Vicente de Carvalho volta a funcionar
Da margem direita à margem esquerda do porto, neste trecho, são cerca de 800 metros de percurso, em linha reta. A viagem é feita a uma velocidade média de 5 a 6 nós, o que equivale a de 5 a 10 quilômetros por hora. A saída da “chata”, como é popularmente conhecida a catraia, depende de dois fatores: quando está lotada, ou após 20 minutos, depende da demanda.
Na partida, a catraia entra numa espécie de canal, uma passagem subterrânea em relação ao nível do asfalto da cidade. O local tem pouca iluminação e, nos dias de chuva ou de maré alta é motivo de preocupação. Há uma marca na parede que indica até que ponto a água pode subir sem oferecer risco à travessia.
Após esse trecho, a barca entra no estuário de Santos. O passageiro passa a ter uma vista privilegiada no cais, dos navios operando e, até mesmo, dos transatlânticos, na época da temporada de cruzeiros. Neste trecho, também é possível avistar o Monte Serrat, do lado do Santos, e o Forte de Itapema, na margem do Guarujá, o ecossistema de manguezal, além de boa parte do canal de navegação.