Vindos da Patagônia, eles começam a aparecer nas praias da região. Especialistas orientam como agir ao encontrá-los debilitados ou encalhados

Com a chegada do inverno, um fenômeno típico da estação volta a chamar a atenção de moradores e turistas no litoral paulista, a aparição de animais marinhos nas praias da região. Vindos das águas frias da Patagônia, no extremo sul da América do Sul, eles percorrem milhares de quilômetros acompanhando correntes marítimas e cardumes em busca de alimentos.
Embora a presença deles desperte curiosidade e renda belas fotografias, especialistas alertam que muitos dos indivíduos encontrados na costa brasileira chegam debilitados, cansados ou com dificuldades para se alimentar. Por isso, qualquer aproximação inadequada pode comprometer ainda mais sua recuperação.

Além dos pinguins e das baleias-jubarte, mais comuns na região nesta época do ano, o litoral paulista também registra o aparecimento de leões-marinhos, lobos-marinhos e elefantes-marinhos, que utilizam a costa brasileira durante suas rotas migratórias. Em alguns casos, esses animais podem encalhar nas praias, exigindo a atuação de equipes especializadas para o resgate e monitoramento.
Os pinguins mais frequentemente encontrados no litoral paulista pertencem à espécie conhecida como pinguim-de-Magalhães. Quando chegam à praia, costumam permanecer imóveis por longos períodos, descansando após dias ou semanas de deslocamento pelo oceano. O comportamento pode dar a impressão de que o animal está saudável, mas também pode indicar exaustão.

Segundo o Instituto Argonauta, entidade credenciada para o monitoramento e resgate de animais marinhos no litoral norte, localizada em Ubatuba, em caso de avistamentos, a recomendação é acionar imediatamente as equipes, que atuam no PMP-BS (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos).
De acordo com a entidade, os animais que surgem nas praias da região geralmente estão debilitados, feridos ou já chegam mortos por não aguentar a jornada desde a Patagônia até a costa brasileira.

De acordo com o Instituto Argonauta, os animais marinhos não devem ser devolvidos ao mar. Eles também não podem ser alimentados. A entidade também recomenda não tocá-los, não manipulá-los e não oferecer água. Animais domésticos devem ser afastados. E, no caso de pinguins, ao contrário do que muita gente imagina, jamais devem ser colocados no gelo.
O instituto recomenda também que, se possível, fazer sombra sobre o animal marinho para protegê-lo do calor, sem cobri-lo ou movimentá-lo. Com esses cuidados, de acordo com o Argonauta, as chances de sobrevivência aumentam até a chegada da equipe especializada.

Posteriormente, os animais são levados para Ubatuba, onde passam por um longo processo de reabilitação, até serem devolvidos ao mar, recuperados.