Galáxia de 11,5 bilhões de anos intrigou pesquisadores e contrariou teorias no campo astronômico; descoberta foi divulgada neste mês

Pesquisa apresentada oficialmente no dia 8 de janeiro divulgou uma grande descoberta para a área astronômica. Trata-se da galáxia espiral Cosmos-74706, uma formação de 11,5 bilhões de anos identificada através do poderoso telescópio James Webb.
O fascínio pelo achado não é modesto: estudos promovidos pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e liderados pelo estudante de pós-graduação em física e astronomia Daniel Ivanov, revelaram a galáxia espiral com barra estelar mais antiga observada pelo ser humano.

Formada apenas 2 bilhões de anos, após o Big Bang, a Cosmos-74706 chama atenção por contradizer teorias científicas acerca da formação de galáxias, que abordam o surgimento destes objetos como lento e caótico.
Sua ordenação, mesmo em um universo ‘recém nascido’, já possuía a barra estelar, um tipo de estrutura alongada e linear que concentra estrelas e gases que atravessam o centro da galáxia.
No meio científico, a descoberta dessa barra, em uma galáxia formando-se em um universo com apenas 2 bilhões de anos, é vista como intrigante. Isso porque, mesmo em um universo primitivo, estruturas mais estáveis e complexas já estavam em desenvolvimento, e em velocidade que pesquisadores acreditavam ser impossível.
O líder da pesquisa, Daniel Ivanov, ressalta a importância da descoberta, principalmente por trazer uma definição de quando estruturas como essa surgem. “Essa galáxia já estava desenvolvendo uma barra apenas dois bilhões de anos depois do nascimento do Universo”, afirma Ivanov.
Barras estelares são de importância absoluta, porque estão localizadas em regiões densas que ajudam na evolução de galáxias; nelas, os gases de regiões externas são direcionados para o centro, onde alimentam buracos negros supermassivos.
Pesquisadores acreditam que foi desta forma que a Via Láctea se formou, já que a estrutura da Cosmos-74706 contém grandes semelhanças com a nossa própria galáxia, principalmente a barra estelar.
Embora já tenham sido encontradas outras galáxias espirais antigas com barras estelares, que foram datadas em aproximadamente 12,5 bilhões de anos, Daniel Ivanov destaca que o diferencial dessa pesquisa é a precisão dos dados coletados.
Utilização do James Webb e do instrumento localizado no observatório Keck I, o Multi-Object Spectrograph for Infrared Exploration (Mosfire) que capta o redshift (ondas para o desvio infravermelho), possibilitou a confirmação da idade da galáxia e as informações descobertas durante as observações, o que nunca havia ocorrido anteriormente.