DESCARTE IRREGULAR

Sabesp retira quase 2 mil toneladas de lixo das redes de esgoto na Baixada Santista

Resíduos e gordura retirados pela Sabesp entre janeiro e junho de 2026 comprometem tubulações e podem provocar extravasamentos nas ruas


Redação
Publicado em 22/08/2026, às 13h37

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A imagem mostra uma grelha de retenção ou peneira de uma rede de esgotos ou drenagem completamente entupida por uma camada densa de resíduos sólidos, detritos orgânicos e lixo acumulado sob águas escuras
Lixo descartado de forma irregular pode obstruir tubulações e comprometer o sistema de esgoto - Divulgação/Sabesp


Quase 2 mil toneladas de lixo e gordura foram retiradas das redes, peneiras e grades instaladas antes da entrada dos esgotos nos equipamentos de bombeamento e estações de tratamento da Baixada Santista entre janeiro e junho de 2026. Segundo a Sabesp, o volume equivale ao peso de 10 baleias-azuis, que podem atingir até 200 toneladas.

Cabelos, fio dental, cotonetes, preservativos, fraldas, absorventes, embalagens plásticas e óleo de fritura estão entre os materiais encontrados pelas equipes durante as manutenções. Os resíduos chegam ao sistema principalmente por causa do descarte inadequado em pias e vasos sanitários.

O problema pode comprometer o fluxo do esgoto nas tubulações, provocar obstruções e aumentar a necessidade de manutenção. Em determinadas situações, segundo a Sabesp, o descarte incorreto também pode contribuir para extravasamentos nas ruas e retorno de esgoto para imóveis.



Volume caiu 18% em 2026

A quantidade média retirada por mês apresentou redução no primeiro semestre. Em 2025, foram recolhidas, em média, 400 toneladas mensais. Entre janeiro e junho deste ano, o volume caiu para 327 toneladas por mês, redução de 18%, conforme os dados fornecidos pela companhia.

O gerente de Manutenção e Serviços Operacionais da Sabesp na Baixada Santista, Andrenandes Gonçalves, afirma que, apesar da queda, a quantidade permanece elevada.

Embora as quantidades tenham diminuído, o volume ainda demonstra que muitos moradores precisam reconhecer as consequências dessa prática inadequada, que bloqueia o fluxo nas tubulações e sobrecarrega o sistema. Por mais rápida que seja a ação corretiva, ninguém quer enfrentar um extravasamento de esgoto na rua ou o retorno dele para dentro de casa. E esse prejuízo pode ser evitado com atitudes simples”, explica.

A Sabesp mantém serviços preventivos de limpeza para evitar que os resíduos comprometam o funcionamento das 353 estações elevatórias, responsáveis pelo bombeamento dos esgotos, e das 18 estações de tratamento existentes na Baixada Santista.



Óleo e gordura podem formar crostas nas tubulações

Óleo de cozinha e outros tipos de gordura também prejudicam as redes quando descartados em pias, tanques ou vasos sanitários. Conforme a Sabesp, a gordura endurece ao esfriar e pode formar crostas dentro das tubulações.

Dependendo da obstrução, equipamentos de sucção ou hidrojateamento podem não conseguir liberar a rede. Nesses casos, pode ser necessária a abertura do pavimento para substituição do trecho comprometido.

A orientação é descartar o óleo de forma adequada e manter a caixa de gordura limpa. A estrutura deve receber somente a água proveniente da pia da cozinha ou churrasqueira.



Água da chuva não deve entrar na rede de esgoto

Outro problema apontado pela companhia são as ligações irregulares de águas pluviais à rede de esgotamento sanitário. A prática sobrecarrega o sistema e é proibida pela Deliberação nº 106 da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), que prevê a separação entre drenagem pluvial e esgotamento sanitário.

A Sabesp informa que usa equipamentos de televisionamento, testes de fumaça e corante atóxico para identificar imóveis em situação irregular. Quando há irregularidade, a administração municipal é notificada para as providências cabíveis. Já os resíduos retirados das estações de tratamento são armazenados em caçambas e encaminhados para aterros sanitários licenciados, conforme as normas ambientais.

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