Programa Clorofila celebra 25 anos

Costa Norte
Publicado em 04/09/2017, às 13h11 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h08

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Os 25 anos do programa Clorofila de Educação Ambiental foi comemorado na sexta-feira, 1, na casa noturna Pucci, na Riviera de São Lourenço. O programa tem a marca de 15 mil alunos atendidos em 22 escolas estaduais, municipais e particulares parceiras.

Na noite de sexta-feira, 1 de setembro,  celebraram-se os 25 anos do programa Clorofila de Educação Ambiental, na casa noturna Pucci, na Riviera de São Lourenço. Os resultados de um trabalho que tem a marca de 15 mil alunos atendidos em 22 escolas estaduais, municipais e particulares parceiras foram comemorados em evento que contou com apresentação da Orquestra Juvenil da Fundação 10 de Agosto, de professores, coordenadores, convidados e diretoria da Sobloco Construtora, idealizadora do projeto.

Começou com a campanha Seu Lixo Vale Ouro, em 1992. Sob o slogan Preservando o Meu Ambiente, desenvolveu-se entre cursos, feiras, oficinas, passeios e comemorações. Um grande marco dessa trajetória é o projeto Clorofila, instituído em 1997, para envolver alunos de todas as idades no plantio de hortas.

Outro destaque é o projeto Agenda 21 na Escola, implantado em 2008. Começou com cursos para professores e, em 2009, gerou a criação da Comissão de Meio Ambiente (CMA) nas escolas. Formada por estudantes dos três últimos anos dos ensinos fundamental e médio, a CMA desenvolve ações educativas na escola, para modificar comportamentos e hábitos nocivos ao meio ambiente e às relações humanas. Os alunos que as praticam são preparados por psicólogos, educadores e outros profissionais em cursos do projeto Preparando para o Futuro.

Quem explica é a educadora ambiental Cristina Peres, coordenadora do programa Clorofila:  “Queremos desenvolver o sentimento de protagonismo em nossos jovens, fazer com que eles assumam um papel de liderança, e compreendam que têm condições para transformar o meio ambiente, as relações entre as pessoas e delas com a cidade onde vivem”. São muitos os relatos de mudanças de quem participa das atividades. A começar pelos ensinos infantil e fundamental 1.

Na Escola Municipal José Carlos Buzinaro, em Guaratuba, 320 alunos, com idades de três a 11 anos, revezam-se para cultivar a horta.  Nas palavras da vice-diretora Édila Dantas da Silva,  “não é o plantar pelo plantar. O projeto trabalha o cuidado, em temas transversais, que vão além do meio ambiente, são interdisciplinares. Amplia a visão dos alunos. E fazemos ligações com o que trabalhamos em sala de aula”. Ela observa grandes mudanças nas crianças, que se tornam mais sociáveis e desenvoltas, e revela que o programa Clorofila fez diferença em sua vida também. “Com os cursos, eu me tornei uma professora melhor”, diz Édila, que é docente de educação básica. Agora, a escola concentra-se na criação de um jardim sensorial, com bancos, planejado para se integrar ao Leitura Deleite, parte da programação da rede municipal.

Segundo Rossana Aguilera, secretária municipal de Educação, “o programa Clorofila vem ao encontro do nosso Projeto de Leitura, que prioriza a sustentabilidade e a preservação social e ambiental. Estimula os alunos a se tornarem agentes multiplicadores. Nossa parceria só gera benefícios, direcionando os estudantes a uma maior responsabilidade social e ambiental”.

De fato. Tatiana Oliveira Alves, de 29 anos, por exemplo, participou do projeto Clorofila apenas no ensino fundamental 1, quando estudou na Escola Municipal Governador Mario Covas Jr., na Riviera, no fim dos anos 1990. E se tornou uma verdadeira fiscal contra o desperdício de papel: “O programa mudou meu modo de pensar. Tomei consciência de que, para ter papel, tem que derrubar árvores. Passei a me preocupar com o que vamos deixar de natureza para nossos filhos”.

Na rede estadual, que tem as CMAs, o efeito do programa Clorofila na disseminação do conceito de cidadania é ainda mais intenso, como explica Luciana Salinas Fernandez, vice-diretora da Escola Estadual Maria Celeste Pereira Leite, na Riviera: “Faz a diferença na vida dos alunos. Quando chegam, no sexto ano, a maioria nem imagina como uma verdura cresce. Uns são tímidos, outros não têm limites. Aos poucos, as mudanças vão surgindo no comportamento, nas notas. Ano após ano, vejo o crescimento, o amadurecimento deles. É emocionante e gratificante”.

Um exemplo dessa transformação é Dayane Vieira, de 16 anos, aluna do terceiro ano do ensino médio, membro da CMA da Escola Estadual Jardim Vicente de Carvalho. “Eu era muito tímida. Aprendi a falar, a opinar, e, principalmente, que posso ser protagonista da minha vida”, revela a estudante. No papel de agente multiplicadora das informações recebidas nos cursos, vê mudança nos colegas: “O comportamento vai ficando mais calmo. Muitos tomam consciência da sua própria importância, de que podem mudar e servir de exemplo”.

Maria Fernanda Mendonça, de 17 anos, aluna do terceiro ano do ensino médio e integrante da CMA da Escola Estadual Jardim Vista Linda, também se desenvolveu. Conhecida como a menina do bolo da casca de laranja, especialidade de sua mãe no projeto Cantina Sustentável, ela não só alterou a rotina alimentar de casa, mas mudou sua visão do mundo.  “Aprendi que a gente pode fazer as coisas e não esperar que os outros façam. Cresci como pessoa e intelectualmente”.

Outro grande exemplo de modificação é a Escola Estadual Jardim Vicente de Carvalho, com 860 alunos. Começou a funcionar em 2006, já com o programa Clorofila, e dele se valeu para lidar com a rebeldia juvenil que caracterizava essa unidade escolar e para se integrar à comunidade. Diz a vice-diretora Verena Camargo Mota: “Nós estamos em área de restinga. Nas salas de aula, apareciam cobras e gambás, e muitos os matavam. Jogavam lixo nas áreas alagadas. Hoje, ninguém mata nada, não se joga lixo em qualquer lugar e não se usa material descartável na escola”.

Todo mundo participa da horta, cuja produção é distribuída entre os alunos e a vizinhança. E os estudantes andam até fazendo vídeos de raps ambientais. “O programa Clorofila é o carro-chefe da nossa escola. O bairro está dentro de uma área de preservação ecológica. Essa oferta de educação ambiental pela Sobloco é importante, porque proporciona de forma direta a visão de quanto o cuidado é essencial. A capacidade financeira dos organismos públicos é limitada e, sem a iniciativa privada, não teríamos o viés ambiental que se tornou nossa marca”, comenta Verena.

Testemunha da evolução no aspecto físico e no comportamento dos alunos da rede estadual, João Bosco Arantes Braga Guimarães, titular da Diretoria Regional de Ensino de Santos, avalia a postura da Sobloco, por instituir o programa Clorofila, como desbravadora, pioneira e única. “Não conheço outra ferramenta pedagógica tão completa, que envolva a construção de conhecimentos, que desperte o interesse dos alunos, e que ofereça a oportunidade de enriquecimento curricular em todas as áreas do conhecimento”, comenta.

Na definição de Beatriz Almeida, diretora de marketing da Sobloco, manter o programa Clorofila há 25 anos demonstra a consciência e a responsabilidade da empresa junto à comunidade e ao meio ambiente. “Trabalhamos com envolvimento pessoal, construção de metodologias, troca de ideias com profissionais da educação, alunos e pais. Ganhamos o respeito dos educadores da cidade, o apoio da Diretoria Regional de Ensino de Santos, e, todos juntos, pudemos construir esse trabalho de educação ambiental que já está indo para uma segunda geração de bertioguenses”, comemora.

Bertioga

Com colaboração de Estela Craveiro

Foto: JCN

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