Resultados foram obtidos por meio das avaliações realizadas pela Cetesb durante todo o ano de 2017

As belas praias do litoral norte paulista, famosas por suas águas límpidas e cristalinas, estão entre as melhores em qualidade da água, segundo relatório anual da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), divulgado no último dia 6 de junho. Os resultados foram obtidos por meio das avaliações realizadas durante todo o ano de 2017. De acordo com a Cetesb, os números indicam que não houve alteração significativa na qualidade das águas costeiras em relação a 2016, conforme verificado pelo IQAC (índice de qualidade de águas costeiras), que, na maioria das áreas, permaneceu com a mesma classificação média do ano anterior.
Com relação ao litoral norte, os números correspondem a ambientes marinhos pouco influenciados pela água doce continental. Nesse ano, ainda de acordo com a Cetesb, 15% das praias receberam classificação média ótima. As áreas classificadas como boa foram 30%. Na Baixada Santista, foram observadas as maiores alterações na qualidade das águas, na região do estuário de Santos e São Vicente, com três áreas classificadas como ruim e uma como péssima. Nesses ambientes salobros, os principais parâmetros responsáveis pela piora da qualidade foram as altas concentrações de matéria orgânica e nutrientes.
Além disso, foram registradas cerca de 30% de não conformidades para o oxigênio dissolvido e enterococos (bactérias fecais). Esses resultados indicam poluição, principalmente, por esgotos domésticos. Deve-se considerar, também, que na região do estuário de Santos e São Vicente, existe grande influência do polo industrial e das atividades portuárias. O litoral de São Paulo possui cerca de 880km de extensão de linha de costa e abrange 16 municípios, com área total de 7.759km².
Áreas eutrofizadas
No que se refere ao IETC (índice de estado trófico costeiro), que avalia o nível de eutrofização – processo por meio do qual um corpo de água apresenta níveis altos de nutrientes, especialmente fósforo e nitrogênio com consequente aumento da densidade de algas planctônicas -, nota-se que houve diminuição das áreas consideradas eutrofizadas. Em relação aos sedimentos, nesse ano, as variáveis que indicam a presença de matéria orgânica e nutrientes nos canais do estuário santista foram as que apresentaram teores mais elevados. No litoral norte, notam-se alguns locais com tendência de acúmulo de nutrientes, como a baía de Itaguá e o Saco da Ribeira, em Ubatuba.
Quanto aos ensaios ecotoxicológicos agudos com amostras de sedimentos, foram registrados 97% das amostras sem toxicidade, em 2017, enquanto que em 2016, essa porcentagem foi de 87%. Apenas 3% das amostras apresentaram efeito tóxico, o menor percentual obtido desde 2013.
A rede de monitoramento da qualidade das águas costeiras da companhia possui 66 pontos e abrange 20 áreas distribuídas ao longo do litoral do estado de São Paulo, das quais oito no litoral norte; dez, na Baixada Santista, e duas, no litoral sul. A amostragem das águas costeiras e dos sedimentos é realizada semestralmente. As medições em campo são feitas por meio de sonda, que avalia o perfil da coluna de água de cada um dos pontos, coletando dados como oxigênio dissolvido, temperatura, pH, condutividade, salinidade, turbidez e profundidade.
Além disso, os técnicos realizam a coleta de amostras de água do mar em três profundidades (superfície, meio e fundo), pois podem haver diferenças na qualidade das várias camadas da coluna de água e de amostras de sedimento superficial, que são encaminhadas aos laboratórios de Cetesb. Nessas amostras de água do mar e de sedimentos, são realizadas cerca de 30 determinações de variáveis microbiológicas, físicas, químicas e ecotoxicológicas.