Animal é inofensivo, mas pode liberar substância que mancha a pele por meses; veja como evitar acidentes, especialmente com crianças

⚠️ Erramos - Publicado originalmente em 2021 com a informação de que o piolho-de-cobra poderia causar necrose na pele, o conteúdo foi corrigido em abril de 2023. A versão anterior atribuía, de forma equivocada, ao animal o risco de provocar necrose após o contato com a pele humana. A informação correta é que o piolho-de-cobra (Diplopoda) pode liberar uma substância escura que mancha a pele temporariamente, sem causar lesões graves.
O texto foi novamente atualizado para esclarecer que o piolho-de-cobra não é um inseto, e sim um miriápode da classe dos diplópodes. Segue o texto corrigido:
Pés manchados, crianças em desespero e médicos confusos: afinal, o piolho-de-cobra é perigoso? O animal, que costuma aparecer dentro de casa em dias chuvosos ou mais úmidos, tem assustado muitas famílias, e gerado dúvidas sobre riscos à saúde, especialmente em crianças.
Apesar do nome popular e da aparência incomum, o piolho-de-cobra não é um inseto, não é venenoso e não pica. Ele pertence à classe dos diplópodes, também conhecidos como milípedes ou miriápodes, e tem uma função importante no meio ambiente: ajudar na decomposição de matéria orgânica.

O piolho-de-cobra, também chamado de gongolo ou embuá, é um animal de corpo segmentado, com dois pares de patas por segmento. Pode ter centenas de patas, corpo arredondado e coloração escura. Vive em ambientes úmidos e sombreados, como jardins, quintais, ralos e até dentro de sapatos esquecidos.
Diferente das lacraias, que são venenosas e podem morder, o piolho-de-cobra não possui ferrão, não injeta veneno e não representa perigo grave à saúde.
Quando se sente ameaçado, o piolho-de-cobra libera uma substância química de coloração escura. Essa secreção pode manchar a pele de forma temporária e, em casos raros, a mancha pode durar semanas ou até meses. Não causa necrose ou dor intensa, apenas um incômodo estético e, às vezes, ardência leve.
⚠️ Essa informação foi corrigida na publicação em abril de 2023, após a constatação de que não há risco de necrose, como se acreditava anteriormente.

Em janeiro (de 2021) relatos de mães viralizaram nas redes sociais após crianças apresentarem manchas arroxeadas nos pés, causadas por contato com o animal dentro dos tênis. Em um dos casos, a mancha permaneceu visível por quase duas semanas, mesmo após lavar com sabão e usar medicamentos tópicos.
“Entrei em desespero. A mancha não saía de jeito nenhum. Corri para o hospital, e os médicos também não sabiam o que era”, contou uma das mães.
O pediatra André Pacca Luna Mattar, da Sociedade de Pediatria de São Paulo, informou que a substância liberada pode causar apenas manchas persistentes, sem risco de infecção ou intoxicação.
Em um artigo brasileiro, foi relatado um caso em que a mancha durou de dezembro até agosto”, relatou o médico.

Na crença popular, o piolho-de-cobra está associado a mau agouro ou energia negativa, por viver em ambientes escuros e úmidos. Mas, na prática, a presença do animal indica apenas que há matéria orgânica acumulada ou umidade no local, o que deve ser corrigido para manter o ambiente saudável.