Pais de estudantes mortos em acidente pedem justiça

Costa Norte
Publicado em 09/12/2016, às 14h28 - Atualizado em 23/08/2020, às 15h42

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Foto: Manolo Prieto

Marina Aguiar

O acidente de ônibus que transportava estudantes universitários de Mogi das Cruzes para São Sebastião completou seis meses na quinta-feira, 8. As famílias dos mortos e sobreviventes alegam que a empresa União do Litoral, responsável pelo veículo, não prestou a assistência  necessária e protestaram em frente à Delegacia de Bertioga.

A família Erick Augusto Carvalho Pedralli, de 21 anos, passou por momentos de terror no dia 8 de junho. Logo após o ônibus capotar, o jovem foi dado como morto até ser encontrado, horas depois, no Hospital Santo Amaro, em Guarujá.

Pedralli teve traumatismo craniano e ficou internado durante 22 dias. Embora tenha se recuperado, o jovem carrega sequelas: a perda de um dos dedos da mão. O trauma passou, mas o estudante reclama do esquecimento do acidente. "A empresa União do Litoral, responsável pelo ônibus, não foi indiciada ainda. Só queremos justiça", criticou o jovem.

Felipe Ferreira da Silva, 18 anos, foi o último sobrevivente a receber alta. O estudante de engenharia civil ficou internado durante 31 dias e a família chegou a gastar R$ 10 mil com tratamento e transporte diário de São Sebastião para Santos, o mesmo valor gasto pela família de Pedralli.

De acordo com o jovens, a empresa ofereceu aos dois R$ 10 mil para cada como indenização. "Isso cobre apenas o que foi gasto pelos nossos pais e amigos com muito custo. Não chega a ser uma indenização", desabafou Silva. O valor foi definido em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) apresentado às famílias pela Defensoria Pública. Para as famílias que perderam seus entes o valor chega a R$ 110 mil, mas a maioria das famílias rejeitou.

O advogado das famílias, José Beraldo, quer o indiciamento criminal dos responsáveis e inocenta o motorista. " O motorista morreu como herói, porque estava dirigindo um ônibus sucateado que não tinha revisão periódica e estava sem freio, como foi provado. Nós vamos cobrar o fechamento do inquérito policial".

Em relação ao valor do TAC, Beraldo critica. "Isso é um absurdo, defensoria pública só pode atuar para aqueles que não tem advogado e o valor é vil. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça já arbitraram no mínimo 500 salários mínimos em caso de morte de acidente de trânsito. Nossas ações orçam por volta de R$ 1,2 milhões e R$ 1,5 milhões para cada família".

Em nota oficial, a empresa União do Litoral, afirma que está prestando os atendimentos necessários e que 'já desembolsou mais de R$ 100.000,00 com pagamentos de remédios, internações, despesas médico-hospitalares e despesas com combustível e alimentação, além de outras'.

As famílias negam que tenham recebido apoio. O pai de Rita de Cássia Alves de Lima, morta no acidente, Otacílio Pereira de Lima Filho, por exemplo, afirmou que não recebeu nenhuma ajuda. "Nem me ligaram para saber como eu estava. Eu não quero dinheiro. Quero que a empresa seja punida. Onde eu tinha que investir, senhor Luiz Carlos Soares, o senhor me impediu de investir", estourou Otacílio, referindo-se ao diretor-presidente da empresa União do Litoral.

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