Opinião pública fica dividida quanto a destino da Casa da Princesa

Costa Norte
Publicado em 02/12/2016, às 11h49 - Atualizado em 23/08/2020, às 15h41

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Foto: Ronald Kraag

Ilhabela

Da redação

 A Câmara de Ilhabela realizou uma audiência pública, na noite da última terça-feira, 29, para tratar sobre o projeto de reforma e adaptação do imóvel conhecido como Casa da Princesa, desapropriado pela prefeitura e destinado para ser a nova sede da Câmara Municipal. A consulta pública foi solicitada pela vereadora e futura vice-prefeita Gracinha Ferreira, em atendimento ao ofício do Conselho Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Socioambiental (CMPDSA).

A reunião foi aberta pelo presidente da casa de leis, vereador Adilton Ribeiro (DEM), e na sequência, o prefeito de Ilhabela Toninho Colucci fez uma apresentação com informações sobre o processo de desapropriação, pedido de autorização aos órgãos competentes, além do Decreto 5.199, de 30 de novembro de 2015, que declarou o imóvel de utilidade pública, para fins de desapropriação, e o destinou para instalação da Câmara Municipal, construção de creche e abertura de via alternativa de acesso ao norte da cidade.

Colucci explica: “A desapropriação salvou a Casa da Princesa. O projeto do proprietário era deixar o prédio cair e construir um comércio”. Disse, ainda, que o local não foi destinado para um espaço de cultura pelo fato de a administração já ter garantido esse destino ao prédio da antiga Escola Estadual Dr. Gabriel Ribeiro dos Santos, que passou a atender os alunos no Perequê, em uma contrapartida do Executivo ao governo do estado de São Paulo.

Como requerente da audiência, o presidente em exercício do CMPDSA, Carlos Nunes, falou sobre a importância histórica da propriedade, que se tornou um ícone para Ilhabela. “Temos um abaixo-assinado com 2,5 mil assinaturas de cidadãos que se consideram contra esse projeto, no que diz respeito à ida da Câmara para lá”. Nunes deixou claro que a desapropriação do imóvel foi um ganho para a cidade, porém acredita que a utilização do espaço deveria ter outra finalidade.

O imóvel

A Casa da Princesa fica na entrada da Vila e, apesar de considerada por todos um patrimônio histórico, não está tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Está localizada no raio de 300 metros do prédio da Cadeia e Fórum, tombado pelo órgão. Segundo informações do prefeito Colucci, a prefeitura buscou a autorização dos órgãos competentes para dar início à reforma.

A vereadora Gracinha solicitou o tombamento do imóvel ao Condephaat e contou com a ajuda do arqueólogo e historiador Plácido Cali. Na ocasião, o profissional destacou um levantamento das características da Casa da Princesa, relacionando as datas de construção e reformas pelas quais passou. Conforme informou, apesar de não ser tombada, a propriedade figura em destaque em um inventário do Condephaat, datado de 1981. “Nós só tivemos conhecimento do decreto da prefeitura depois de pronto. Os vereadores não foram chamados para discutir e nem consultados se gostaríamos que o local abrigasse a Câmara. Não sou contra a desapropriação, sempre apoiei a recuperação do patrimônio para que, de fato, fosse do município, porém não concordo com a ida do Legislativo”

Da mesma opinião, os vereadores Sampaio Júnior (Rede) e Rita Gomes, a Drª. Rita (PTdoB), manifestaram-se contrários à mudança da casa de leis. “Não comungo com esta alternativa. Fiz indicação para desapropriar o imóvel, para que fosse explorado para fins culturais”, enfatizou Sampaio. “Essa casa não foi ouvida, não tivemos a oportunidade de dizer se queríamos mudar ou não”, reforçou Drª. Rita.

O vereador Luiz Paladino de Araújo, o Luizinho da Ilha (PSB), solicitou ao prefeito que um arqueólogo seja consultado a fim de garantir que o prédio e a paisagem não sejam alterados e continuem sendo um símbolo para a cidade.

A vereadora Benedita Gonzaga, a professora Dita (PTB), é a favor da conservação do imóvel. “Gostaria muito que aquele prédio ficasse daquela maneira, que apenas fosse restaurado. Ainda dá tempo para encontrar um novo lugar para levar a Câmara”.

O presidente do Legislativo ilhéu, vereador Adilton Ribeiro, solicitou a leitura de um abaixo-assinado dos funcionários efetivos da Câmara favoráveis à mudança. “Os vereadores foram eleitos, mas quem está no dia a dia são os funcionários. Eu me pergunto: se pode ir a Secretaria de Cultura ou a de Turismo, por que não os funcionários da Câmara?”, questionou.

As opiniões públicas ficaram divididas quanto ao destino que será dado à Casa da Princesa, sem nenhuma definição final, mas todos concordaram que a cidade ganhou com a aquisição do imóvel.

Fizeram uso da palavra representantes de entidades como o Instituto Ilhabela Sustentável, Associação dos Engenheiros e Arquitetos, Conselho do Plano Diretor, Conselho Municipal de Políticas Culturais, entre outros.

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