O ministro precisa dizer com clareza se as mensagens que lhe são atribuídas são falsas e, caso verdadeiras, explicar por que não comprometem sua imparcialidade

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, enfrenta hoje o primeiro desafio político concreto no escândalo das mensagens trocadas entre ele e procuradores da Operação Lava Jato. Responderá às perguntas dos senadores da Comissão e Constituição e Justiça do Senado.
Desde que que o escândalo veio à tona, dez dias atrás, a atitude de Moro flutuou. No início, negou impropriedades, mas não a autencidade das mensagens. Seu discurso mudou no meio da semana passada, depois que vestiu a camisa do Flamengo ao lado do presidente Jair Bolsonaro.
Naquele mesmo dia, viera à tona uma nova mensagem atribuída a Moro, revelando confiança no ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). “In Fux we trust”, dizia Moro, segundo a mensagem, ao procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato.
Ao contrário das demais mensagens, esta não foi publicada no site The Intercept, mas revelada no programa "O É da coisa", do jornalista Reinaldo Azevedo na rádio BandNews, pelo editor-executivo do site (até agora, o Intercept não publicou reportagem sobre o episódio).
No dia seguinte, Moro concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo e passou a contestar veladamente a autenticidade das mensagens publicadas. “Não tenho como confirmar a veracidade”, voltou a afirmar ontem no programa do apresentador Ratinho, no SBT.