CRESCIMENTO

Número de empreendedoras com mais de 60 anos salta 50% e inspira artesãs

Brasil atinge 4,3 milhões de empreendedores na faixa etária acima dos 60 anos; na Baixada Santista, artesãs apostam em ateliê próprio


Redação
Publicado em 13/08/2026, às 16h01

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Artesãs utilizando máquina de costura
Sócias do Ateliê Entre Linhas produzem bolsas, enxovais e bonecas - Reprodução/TV Cultura Litoral e Vale


Após a aposentadoria, o empreendedorismo tornou-se a principal alternativa para mulheres acima de 60 anos que desejam manter a rotina ativa e gerar renda na Baixada Santista, no litoral paulista.

Dados do Sebrae apontam que o Brasil alcançou a marca de 4,3 milhões de empreendedores nessa faixa etária em 2024, um crescimento superior a 50% em 12 anos.

Na região litorânea, o impacto feminino nos pequenos negócios é expressivo. Em 2025, as mulheres responderam por 45,7% dos atendimentos prestados pelo Sebrae. A consultora de negócios da instituição, Bianca Bastos Marsaiolli, explica as barreiras enfrentadas por esse público na hora de abrir uma empresa.



Muitas vezes, existe o receio de não dar conta, de não dominar a tecnologia ou até mesmo de achar que já passou da hora de empreender. Mas não existe idade certa, idade ideal para começar", afirma a especialista.

Paixão que vira negócio

A transição de um passatempo caseiro para uma empresa formal reflete a trajetória das sócias do Ateliê Entre Linhas, criado em 2023. As artesãs Cláudia Ameleto, Silvia Maria e Rosângela Vasconcelos uniram habilidades de costura e bordado para produzir bolsas, nécessaires, enxovais de bebê e artigos de decoração.

A artesã Cláudia Ameleto detalha a evolução do projeto, que começou de forma descentralizada. "No início trabalhávamos, né, cada uma na sua casa. Com o passar do tempo, a gente entendeu que precisava manter os materiais num só espaço. E aí, em julho do ano passado, alugamos o espaço que hoje é o nosso ateliê físico", conta.

Dentro da empresa, as tarefas respeitam a habilidade de cada integrante. A artesã Silvia Maria comanda a máquina de bordar e explica a divisão de trabalho. "A minha função é fazer tudo que elas fazem, e mais bordar, mas eu fico mais na bordadeira mesmo. É mais fácil para elas, porque não sabem muito mexer nesse bordado", relata.



Além do retorno financeiro, a criação de brinquedos físicos carrega um propósito afetivo. A artesã Rosângela Vasconcelos destaca a importância de oferecer uma alternativa aos aparelhos eletrônicos. "Num tempo onde as crianças estão tão na tela, a gente acha muito interessante que a criança tenha esse contato físico com a boneca, que chega a ser uma amiguinha. É a nossa ideia", conclui.

*Com informações do jornalista Alex Castro, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral e Vale.

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