DESPEDIDA

Morre Jupyra, mestre artesão e referência da cultura caiçara de Caraguatatuba

Reconhecido pelo entalhe em madeira de demolição e pela valorização da identidade caiçara, Juliano Junqueira, deixa legado na cultura popular

Juliano Junqueira, o Jupyra, foi o primeiro artesão de Caraguatatuba a receber a Carteira Nacional do Mestre Artesão
Juliano Junqueira, o Jupyra, foi o primeiro artesão de Caraguatatuba a receber a Carteira Nacional do Mestre Artesão - Secom / Caraguatatuba


A cultura popular de Caraguatatuba perdeu, nesta quinta-feira (29), uma de suas principais referências. Francisco Juliano Junqueira, conhecido como Jupyra, mestre artesão caiçara e símbolo do fazer manual no litoral norte de São Paulo, faleceu na manhã de hoje.

Não há informações sobre a causa da morte. Velório ocorre das 12h às 16h, e o sepultamento está marcado para as 17h, no cemitério do Indaiá.

Além de produzir suas obras, Jupyra mantinha atuação constante no cenário cultural, com mentorias, seminários e participação em iniciativas voltadas à valorização de artesãos.



O artista também assinava peças e troféus entregues em eventos locais, como a 14ª edição do Festival Estudantil de Teatro de Caraguatatuba (FET), em outubro passado, e o Caraguá Surf Festival, em setembro.

Em nota oficial, a prefeitura lamentou a morte do artesão e destacou sua trajetória como defensor da identidade cultural caiçara.

Segundo o comunicado, Juliano foi o primeiro artesão de Caraguatatuba a receber a Carteira Nacional do Mestre Artesão, reconhecimento concedido pelo Programa do Artesanato Brasileiro.



A administração municipal também ressaltou que o trabalho de Jupyra ultrapassou fronteiras, levando o nome da cidade a eventos e premiações no Brasil e no exterior, além de inspirar aprendizes e integrantes da comunidade cultural.

A nota afirma ainda que “o legado de Juliano Jupyra permanece vivo em suas obras, em sua história e na memória da cidade”.

Reconhecimento e defesa do artesanato

Em entrevista publicada pelo jornal Massaguaçu, em agosto do ano passado, Jupyra contou que passou a viver exclusivamente da própria produção em 1996, quando decidiu pegar a estrada e vender artesanato. “O motivo principal foi a independência, ser dono do próprio nariz”, disse ao jornal na ocasião.



Conhecido pelo entalhe e pelo uso consciente de madeira de demolição, o artesão também defendia a valorização do trabalho manual e criticava a concorrência desleal de revendedores em feiras públicas.

“O artesão vive da arte, não sobrevive da arte”, afirmou na entrevista ao jornal Massaguaçu, ao comentar as dificuldades do setor.

Jupyra será sempre lembrado como o artista que construiu uma obra marcada pela tradição caiçara e pela preservação cultural do litoral norte. 



Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!