
Por Mayumi Kitamura
Próximos da praia, porém, mais perto ainda de verdadeiras lagoas escuras e fétidas. Esta era a visão dos moradores da rua Oswaldo Cruz, no centro da cidade, ao abrirem suas portas, até a quinta-feira, 26. A quadra inteira havia sido tomada por enormes poças, formadas tanto pelas águas das chuvas quanto pelas que, ao invés de ser escoadas, retornavam. Em protesto, um vaso sanitário foi colocado na rua, sobre a água suja. O problema, segundo eles, teria ocorrido há mais de dois meses, e só foi resolvido na sexta-feira, 27, com a manutenção do bueiro, depois de muitas reclamações junto à Sabesp e à prefeitura.
Na quarta-feira, 25, os moradores denunciaram a situação à nossa reportagem. A aposentada Lenise Quaresma Brand Correa, residente no local há 15 anos, preocupava-se com os riscos à saúde. “É um desrespeito. Eles estão esperando que aconteça alguma coisa grave com a gente? Isso daqui não é justo, até cresceu mato onde está o bueiro”. Já para o escultor Ricardo dos Santos, a maior vulnerabilidade recaia sobre as crianças que passavam pela rua, já que, dificilmente, importam-se em molhar os pés, o que proporciona mais risco de contrair doenças.
No caso da cabeleireira Teresinha Bernadete Bazuco Ortiz, o problema era ainda maior, pois esta água fétida invadia o terreno de sua residência. “O cheiro é horrível, me sinto mal. Trato de fechar todos as janelas para não entrar em casa”, relatou.
De acordo com os moradores, o transbordamento iniciou após um trabalho feito pela prefeitura na via, no qual a passagem da máquina retirou a tampa do bueiro, ocasionando o entupimento da tubulação após as chuvas. Este bueiro está instalado em frente à residência da vendedora Maria Dioneide, que reclamou, principalmente, do cheiro que chegava à sua casa. Ela afirma ter ido muitas vezes à Sabesp, para tentar resolver, mas nada foi feito. “Essa rua é principal, rua dos bancos. E cadê a Sabesp? A prefeitura fala que não tem nada a ver, o IPTU é absurdo, tudo caro. Eu espero que eles vejam isso e tomem uma providência”, afirmou a vendedora.
A comerciante Maria da Conceição Pimentel Santos afirmou que a Sabesp já teria ido ao local, mas não havia resolvido o problema. “Tá lá a faixa [da Sabesp], está aberto aquilo ali há vários dias e continua essa situação. O esgoto tá aí, você pode sentir o mau cheiro”. Ela disse que, se nada for feito, pretende mudar de cidade: “Parece que nada funciona neste lugar”.
Vários motoristas que passavam pelo local criticavam e pediam providências à prefeitura, aos gritos. O corretor de imóveis Marco Ubaldo, inconformado com o estado da rua, parou seu carro para demonstrar sua indignação. “Sou morador de Bertioga há cinco anos e, como cidade turística, é inconcebível ter um problema de esgoto como esse que gera doenças, o trânsito fica incompreensível e o carro fica todo imundo. É uma cidade que necessitava ter uma forma de prevenção contra isso de primeira linha, senão não pode ter toda essa campanha de ter Selo Verde e falar da preservação da mata, se não se cuida nem do esgoto da nossa comunidade”.
Responsabilidade
Procurada pela reportagem, a Sabesp informou, via e-mail, que o caso “tem origem no sistema de escoamento de águas pluviais (de chuva) e não nas redes de coleta de esgoto, que são operadas pela companhia”. A companhia revelou ainda que “técnicos da empresa entrarão em contato com o órgão responsável pela manutenção das galerias de drenagem a fim de contribuir com a solução da ocorrência”.
Já a prefeitura foi informada sobre a denúncia da origem do problema e da situação atual da rua e afirmou somente que a Secretaria de Serviços Urbanos realizaria o serviço de nivelamento da via na sexta-feira, 27, data em que uma equipe da Sabesp esteve no local e realizou o serviço de desobstrução do bueiro.