praia imprópria

Moradores de Maresias clamam por saneamento básico

Em reunião, superintendente da Sabesp afirmou que 70% do saneamento do bairro serão concluídos em 3 anos

Marina Aguiar
Publicado em 23/03/2018, às 14h35 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h37

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População reclama de balneabilidade da praia, ocasiada por falta de saneamento básico - JCN
População reclama de balneabilidade da praia, ocasiada por falta de saneamento básico - JCN

Moradores de Maresias, em São Sebastião, exigiram saneamento básico no bairro, durante reunião no Centro de Convenções do Beach Hotel Maresias, na tarde de quarta-feira, 21. Após constatarem a praia imprópria para banho durante semanas, e a região do baixio alagar durante todos os verões, a população reuniu-se para reivindicar melhor infraestrutura.

O encontro foi organizado conjuntamente pela Associação de Amigos da Praia de Maresias (Somar), com o apoio da Associação de Pousadas e Hotéis de Maresias (APHM); Associação de Amigos do Canto do Moreira (AACM); Associação de Surf de Maresias (ASM); Instituto Gabriel Medina (IGM); e Instituto Conservação Costeira (ICC).

A vice-presidente da Somar Dircéia Arruda de Oliveira briga pelo saneamento básico há mais de 30 anos. Ela diz: "Nós temos várias frentes que brigam pelo mesmo direito, direito que está na Constituição". Segundo Dircéia, a ocupação desordenada  contribui para a má qualidade das águas. "Está aumentando o número de pessoas que não fazem fossa, que não se preocupam com a balneabilidade da praia. Me apavora ver crianças tomando banho nesse mar e no rio nessas condições. A Sabesp tem que assumir um compromisso com o bairro. Se você anda nas ruas de Maresias, o cheiro é insuportável, me envergonha chamar um turista pra cá com essas valas. Estamos na merda, literalmente. Tenho 80 anos e gostaria de ver o saneamento pronto antes de morrer".

Gustavo de Souza Leite, presidente do projeto SOS Maresias e membro da ASM, já foi vítima de doenças causadas pela sujeira das águas. "Eu trabalho na praia, com aulas de surfe; aqui tem o lençol freático muito baixo, quando chove, o esgoto vai para o rio e  mar. Nesse ano, teve muito caso de virose, doença de pele. Eu fico muito tempo no mar e já peguei uma bactéria que demorou seis meses para sarar, um bicho geográfico quase necrosou minhas pernas".

O projeto SOS Maresias utiliza a hashtag para informar aos turistas e moradores sobre a situação de sujeira na praia. "Foi uma calamidade este verão, praia com bandeira vermelha durante quase todo o verão, muito lixo na praia, a prefeitura cortou a verba da Somar, que fazia a limpeza da praia. A gente conscientiza", explicou Leite.

A jornalista Marina Veltman ressaltou que o saneamento no bairro é inexistente, sendo que a praia, reduto do surfista Gabriel Medina, atende 40% do turismo da cidade de São Sebastião. "É a maior estrutura turística da cidade. De 2010 para 2016, a população fixa quase dobrou, mas os serviços básicos não dobraram. A área do baixio, entre a orla da praia e a rua do Forno, próxima ao morro, concentra 80% do bairro, e é a que mais sofre com as chuvas. Nosso lençol freático tem um metro da rua e transborda com qualquer chuvinha, mesmo que as casas possuam fossa e sumidouro", explicou.

Já na área de morro, a ocupação é desordenada e não possui fossas;  todo o esgoto vai para as ruas do baixio. O superintendente da Sabesp no litoral norte José Bosco anunciou que está em tratativas com a prefeitura, para assinatura de um contrato de 30 anos entre os órgãos, com investimentos e controle operacional da água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos.  Bosco afirmou que, assim que o contrato for assinado, o saneamento básico de Maresias será a obra número 1. "Teremos duas etapas: na primeira, fase emergencial, queremos atingir 70% de cobertura em Maresias em 3 anos. Vai ser feito todo o sistema: estação de tratamento, as elevatórias de bombeamento, coletores, linhas de recalque e todas as ligações onde passam as tubulações".

Longo prazo

Apesar do prazo de conclusão de 70% da obra ser três anos, o processo não será concluído em 2021. O vice-prefeito de São Sebastião Amilton Pacheco adiantou que estamos em período eleitoral, portanto, o contrato só será assinado em janeiro do próximo ano. Após essa data, existe um prazo de seis meses para realizar o processo de licitação e, só então, iniciar a obra, no fim de 2019. A primeira etapa do projeto conta com investimentos de aproximadamente R$ 27 milhões, totalizando R$ 40 milhões ao final de todo o projeto.

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