A pescaria abastece evento simbólico da cultura caiçara, que reúne moradores e visitantes em praia localizada na divisa entre Guarujá e Bertioga

A comunidade da Prainha Branca, no Guarujá, litoral de São Paulo, celebrou pesca histórica na manhã de quarta-feira (16). Em uma única saída, nas proximidades da praia, foram capturadas 390 tainhas, das quais 200 foram destinadas à 25ª Festa da Tainha Tradicional Caiçara, que ocorre nos próximos dias 26 e 27 de julho e 2 e 3 de agosto.
Segundo Leonardo Flávio, um dos pescadores, além dos 200 peixes reservados para a festa, 80 tainhas foram distribuídas entre moradores da comunidade que ajudaram no desmalhe do peixe. O restante ficou com o dono da rede e do barco utilizados na pescaria.

A operação envolveu três pessoas no barco e cerca de dez pessoas na praia, responsáveis por retirar os peixes da rede e fazer a separação. As tainhas destinadas à festa já foram armazenadas em freezer.
O peixe é o prato principal da tradicional festa que ocorre anualmente na comunidade, e também o produto mais caro, por isso, Leonardo comemorou a chegada do cardume: “Foi muito bom. A gente estava pescando para pegar esse peixe para a festa da Tainha, para fazer essa doação e manter a tradição”, disse ele, que também é membro da Sociedade Amigos da Prainha Branca (SAPB), responsável pelo evento.
A 25ª Festa da Tainha Tradicional Caiçara da Prainha ocorre das 12h às 18h, no campo de futebol da comunidade, em frente à praia. Os convites já estão à venda (no link), ao custo de R$ 150,00 (serve bem três pessoas).

O prato principal, a tainha assada na telha, é servido com arroz, farofa e vinagrete. A renda é revertida para os projetos e manutenção da comunidade. A festa é organizada pela Sociedade Amigos da Prainha Branca, com apoio dos moradores, que colaboram na decoração, atendimento ao público e preparo dos alimentos.
A tainha é uma espécie pelágica da família dos mugilídeos, de corpo alongado e coloração prata-azulada, com dorso mais escuro e listas formadas pelas manchas nas escamas. Pode chegar a até 1 metro de comprimento e pesar até 8kg. Alimenta-se de plâncton, pequenos organismos e material vegetal.
Cada fêmea pode desovar cerca de 3 milhões de ovos, o que garante sua reprodução mesmo após grandes safras. No Brasil, é encontrada em costões rochosos, recifes, praias de areia e manguezais, sendo muito importante para a pesca artesanal e para a cultura alimentar do litoral.