NATUREZA

Mais de 100 albatrozes são avistados no litoral de São Paulo

Agrupamento de aves foi registrado por membros do projeto Baleia À Vista


Da Redação
Publicado em 06/07/2020, às 09h01 - Atualizado em 24/08/2020, às 08h09

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Julio Cardoso
Julio Cardoso


Mais de cem albatrozes foram avistados em alto-mar por membros do projeto Baleia À Vista no dia 12 de junho. A equipe explica que, partiu com a embarcação Ballerina para fazer monitoramento de cetáceos nas imediações de Ilhabela, e depararam-se com as aves.

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O mar estava calmo, sem vento e o dia estava ensolarado. O fotógrafo Júlio Cardoso e a bióloga e fotógrafa Arlaine Francisco, que conhecem a região há mais de 20 anos, costumam navegar para fotografar e identificar baleias-jubarte e outros cetáceos. Porém, afirmam nunca terem visto um agrupamento tão grande de albatrozes em uma única viagem.

Na saída de barco, em uma expedição rotineira, fizeram uma rota em direção ao sul de Ilhabela, onde fotografaram jubartes para identificação e ao longe, puderam ver uma parelha de arrasto operando a cerca de 10 milhas náuticas da Ponta do Boi.

Ao se aproximar, viram que os pescadores estavam descartando alguns peixes e vísceras, atraindo vários atobás e fragatas. Ao chegar mais perto, avistaram um primeiro Albatroz-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos). “Vimos ele aterrissar e começar a se alimentar. Ficamos eufóricos. Comecei a fotografar, mas nem sabíamos o que nos esperava”, conta Julio. “Logo em seguida vimos outro, mais outro e muitos foram chegando”, disse, explicando que em um primeiro momento, avistaram cerca de 32 animais.

Em seguida, rumaram para a direção leste e encontraram outra parelha arrastando, a cerca de seis milhas para fora da Ponta do Boi, onde encontraram outros narizes amarelo. Posicionados cada um em um lado da embarcação, Cardoso fotografou um grupo de 26 albatrozes e a Arlaine, um grupo de cerca de 39, chegando a mais de cem aves.



“Era um dia quase sem vento e por isso eles estavam parados na água para poupar energia e aproveitando as sobras de peixes boiando pelo descarte dos barcos de arrasto, ou seja um almoço grátis e fácil para eles, mas disputado com atobás e fragatas”, conta. E conclui: “Foi uma festa para nossos olhos poder ver estas aves incríveis e maravilhosas livres, vivas e presentes tão perto de nossa costa!”.

Temporada de albatrozes

A presença de albatrozes-de-nariz amarelo na região, entretanto não é uma surpresa. Essa espécie está presente em águas do sul e sudeste do Brasil o ano inteiro, mas em maior abundância no inverno. Conforme o coordenador científico do Projeto Albatroz, Dr. Dimas Gianuca, o albatroz-de-nariz-amarelo se reproduz nas ilhas de Tristão da Cunha e Gough, por conta disso, é observado no sudeste brasileiro com mais frequência do que outras espécies que nidificam em regiões subantárticas.



No inverno do ano passado também foram avistados cerca de 300 albatrozes-de-nariz-amarelo ao largo do Rio de Janeiro. As aves foram registradas durante um passeio de barco, e assim como nesta ocasião registrada por Júlio Cardoso, estavam agregadas se alimentando ao redor de barcos de pesca.

As águas do sul e do sudeste brasileiro representam uma importante área de alimentação para albatrozes oriundos de ilhas remotas da região subantártica (como as Malvinas/Falklands e Geórgia do Sul), ilhas localizadas no meio do Oceano Atlântico sul (Gough e Tristão da Cunha), e na Nova Zelândia. “O inverno é quando estas aves estão presentes em nossas águas em grande número e com maior variedade de espécies, e o registro destes albatrozes ao largo de Ilhabela, mostra que a 'temporada' dos albatrozes em águas brasileiras já começou”, reforça Gianuca. 

Fundadora e coordenadora do Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, Tatiana Neves, reforça a importância de se utilizar medidas mitigadoras da captura como o toriline, a largada noturna de anzóis e o regime de peso para proteger albatrozes e petréis e assegurar que as próximas gerações tenham também o privilégio de presenciar espetáculos da natureza como esses.



Projeto Albatroz

Reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis é a principal missão do Projeto Albatroz, que tem o patrocínio da Petrobras. O Projeto é coordenado pelo Instituto Albatroz - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com o Poder Público, empresas pesqueiras e pescadores. A principal linha de ação do Projeto, nascido no ano de 1990, em Santos, é o desenvolvimento de pesquisas para subsidiar Políticas Públicas e a promoção de ações de Educação Ambiental junto aos pescadores, jovens e às escolas.

O resultado deste esforço tem se traduzido na formulação de medidas que protegem as aves, na sensibilização da sociedade quanto à importância da existência dos albatrozes e petréis para o equilíbrio do meio ambiente marinho e no apoio dos pescadores ao uso de medidas para reduzir a captura dessas aves no Brasil. Atualmente, o Projeto mantém bases nas cidades de Santos (SP), Itajaí e Florianópolis (SC), Itaipava (ES), Rio Grande (RS) e Cabo Frio (RJ). Mais informações:  www.projetoalbatroz.org.br .



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