
Um grupo de mães de crianças com necessidades especiais realizou um manifesto, na primeira sessão da Câmara de Bertioga após o recesso, na terça-feira, 1º. Elas pediram melhorias da infraestrutura do Centro de Educação Especializado, localizado na rua Jorge Ferreira, 586, no Centro.
Atualmente, o local atende 38 crianças em períodos alternados e, segundo Cristiane Santos, mãe de duas crianças especiais, não possui auxiliares técnicos educativos (ATE) suficientes para o número de alunos atendidos. "Do ano passado pra cá, tiveram mais crianças matriculadas e poucas ATEs para ajudá-los", criticou.
Durante o programa Opinião, transmitido pela TV Costa Norte, na terça-feira, 1º, a secretária municipal de Educação Rossana Aguilera respondeu às críticas e concordou com a carência de ATEs na rede municipal de ensino. "Temos entre 30 e 35 ATEs na rede, mas não é suficiente. Tenho crianças com paralisia cerebral, crianças com autismo severo que surtam; precisaria de um ATE para cada criança", afirmou.
O único empecilho da pasta é a falta de interesse dos professores da rede em se tornarem auxiliares técnicos educativos. Um projeto de lei que cria 140 vagas para a função gratificada de ATE foi aprovado em abril deste ano. Com a criação do cargo, professores de carreira da rede municipal de ensino podem exercer a função no contra turno da jornada regular, com a adição de R$ 1.350 em seus salários. Mas algumas mães argumentam que é pouco. "As professoras até querem fazer a dobra de horário, mas o pagamento não compensa", explicou Cristiane.
Rossana também concordou com a reclamação. "Eu concordo que é baixo, mas nós tínhamos um contrato com o Campb, que estabeleceu esse valor", disse. A secretária também afirmou que existia um problema salarial na educação. "Alguns profissionais estavam registrados com quatro tipos de salários diferentes e exercendo a mesma função. Com esse contrato, o salário não poderia ser alterado; nós tivemos que colocar a função gratificada no mesmo valor".
Quanto ao número de ATEs, a secretária afirmou que está se empenhando em alcançar mais professores para a função. "Na semana passada, conseguimos três pessoas e já enviamos para o CEE. No último sábado, 29, publicamos no Boletim Oficial do Município o convite para a adesão de professores. Assim que tivermos mais auxiliares, distribuiremos pelas escolas para trabalharem, também, na educação inclusiva". Na rede municipal de ensino existem 132 crianças com laudos de necessidades especiais.
Marina Aguiar
Foto: JCN