Dias após iniciar operações no litoral paulista, Keeta alega que concorrentes usaram crachás falsos, para obter dados estratégicos de restaurantes parceiros

A disputa pelo mercado de delivery no Brasil escalou e virou caso de polícia, em São Paulo. A Polícia Civil abriu inquérito em Santos, para investigar um suposto ataque de espionagem coordenado contra a Keeta, braço internacional da gigante chinesa Meituan.
O inquérito, aberto pela 3ª Delegacia de Polícia de Santos, apura casos em pelo menos oito restaurantes da cidade. Grupos de 8 a 10 pessoas, de empresas concorrentes, teriam se passado por funcionários da Keeta, com crachás corporativos falsos.
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Esses falsos representantes solicitavam informações estratégicas de negócio. A lista incluía dados sobre pedidos, informações financeiras, taxas de comissão e preferências dos consumidores. O ataque ocorreu poucos dias após o início da operação-piloto da Keeta em Santos e São Vicente, em 30 de outubro.
Este não é um caso isolado na disputa acirrada pelo mercado de delivery em São Paulo. Recentemente, a Polícia Civil paulista iniciou outra investigação, para apurar possível "prática de concorrência desleal cometida por ex-funcionário de uma empresa brasileira de tecnologia e delivery on-line", o iFood, conforme reportagem do Metrópoles.
A investigação de espionagem corporativa começou em Piracicaba (SP). Representantes do iFood relataram que um ex-colaborador, ao se desligar, teria se apoderado de informações sigilosas. Segundo a denúncia, ele teria compartilhado dados de 4,9 mil restaurantes com um sobrinho. Em depoimento, o suspeito negou e disse que hoje trabalha na 99 Food.
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Em outro caso, um ex-funcionário do iFood, em Itaquera, na capital, foi alvo de busca e apreensão. A suspeita é que informações seriam repassadas para a Keeta, que se preparava para iniciar suas operações no litoral paulista.
Posicionamento das empresas
O Metrópoles apurou que o iFood investiga casos de assédio a funcionários, que teriam recebido ofertas de até R$ 5.500,00 de consultorias internacionais, a maioria da China. O objetivo seria obter dados sensíveis sobre faturamento e precificação.
Em nota ao Metrópoles, a Keeta afirmou que "não contrata quaisquer empresas para abordar indivíduos em seu nome para os fins mencionados". A empresa destacou que não foi notificada e "reitera seu compromisso com as melhores práticas de mercado".
O iFood, por sua vez, disse que os casos tramitam em segredo de Justiça, e que "repudia qualquer prática de concorrência desleal, incluindo tentativas de espionagem corporativa".