Nova lei reconhece importância cultural e religiosa das tradições afro-brasileiras na cidade do litoral norte de São Paulo

A prefeitura de Ilhabela, litoral de SP, sancionou a Lei nº 1.781/2026, que institui o Dia Municipal de Iemanjá no calendário oficial de eventos da cidade, no litoral norte de São Paulo. A celebração será realizada anualmente em 2 de fevereiro.
A proposta é de autoria do vereador Alexander Augusto (PP), conhecido como Leléco, e reconhece a importância histórica, cultural, religiosa e social das tradições de matriz africana no município.
A legislação também busca incentivar o respeito à diversidade religiosa e fortalecer o diálogo entre diferentes manifestações culturais e de fé.
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De acordo com a lei, as comemorações poderão contar com atividades culturais, religiosas, educativas e artísticas promovidas pelas casas de axé locais, entidades culturais e poder público, sempre em conformidade com a legislação ambiental e a liberdade religiosa.
O texto prevê ainda que as celebrações ocorram, preferencialmente, na Fazenda Engenho D’Água, espaço tradicionalmente ligado às manifestações culturais de Ilhabela e que já sediou a festa neste ano de 2026.
A festa de Iemanjá em Ilhabela é organizada pela Associação do Movimento Afrodescendente de Ilhabela (Amai) e pelos Zeladores de Terreiros do município, em parceria com a prefeitura.
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Entre os momentos mais simbólicos da programação estão o Xirê dos Orixás e o cortejo com o Balaio de Iemanjá até o mar. Durante o ritual, as oferendas são levadas em embarcação mar adentro em um ato de fé, gratidão e conexão com as águas.
Segundo os organizadores, a celebração também reforça a preservação das tradições afro-brasileiras e o combate à intolerância religiosa.
A devoção a Iemanjá tem origem entre os povos iorubás, da África Ocidental, e chegou ao Brasil com os africanos escravizados. Considerada a mãe de todos os seres e protetora das águas, Iemanjá permanece como símbolo de resistência, identidade cultural e fé nas religiões de matriz africana.