Guarujá rejeita gases tóxicos em seu território

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Publicado em 22/06/2017, às 11h49 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h01

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Secretário de Meio Ambiente de Guarujá critica proposta da Codesp para a queima de fosfina em Vicente de Carvalho

A Baixada Santista foi surpreendida durante a semana com a informação de que 115 cilindros com seis tipos de gases tóxicos estão armazenados no Centro de Santos há mais de 20 anos. Entre eles, o de maior teor tóxicoé a fosfina, que é letal e possui alto potencial de dispersão.

A discussão veio à tona durante reunião do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) de Guarujá, realizada na segunda-feira, 19. O grupo rejeitou, por unanimidade, a proposta da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), responsável pelo material, de enviar os cilindros de navio à margem esquerda do Porto de Santos, no distrito de Vicente de Carvalho, para que fosse feita a armazenagem e queima dos gases em solo guarujaense.

Na terça-feira, 20, em entrevista ao programa Café da Manhã, da TV Costa Norte – 48 UHF, o secretário de Meio Ambiente de Guarujá, Sidnei Aranha, falou sobre a polêmica.Ele acredita que o tema foi muito mal conduzido pela Codesp desde o início, já que, desde 1996 os cilindros com gases tóxicos estão sob responsabilidade da Codesp e, agora, buscam uma solução às pressas.

Na opinião do secretário, que preside o Condema de Guarujá, a solução mais adequada seria o encapsulamento dos cilindros e posterior envio, de navio, para uma empresa especializada na inativação destes produtos localizada na França. No entanto, esta opção tem um alto custo.

Aranha informou que se um dos cilindros de fosfina vazasse a população no raio de dois a dez quilômetros deveria ser evacuada. Esse material, conforme explicou, costuma ser usado em agrotóxicos e para higienizar contêineres. Ele ressaltou: “Esse é um assunto metropolitano. [...] Guarujá, com todo respeito às autoridades portuárias, não pode continuar sendo vista como quintal de Santos”.

Ainda, o secretário adiantou que a rejeição da proposta é uma posição tanto do Condema quanto pela prefeitura, e que a queima no município só será realizada caso o Codesp consiga uma liminar, mesmo assim, o município não descarta a busca de uma solução junto à Justiça Federal. Ele finalizou: “De qualquer maneira, esses gases têm que ser inativados para que não ofereçam risco à população de Santos e Guarujá”.

O posicionamento oficial da prefeitura de Santos quanto ao tema é de que “a Defesa Civil de Santos tem acompanhado as ações da Codesp e tem conhecimento dos planos de emergência, assim como as demais agências (IBAMA , CETESB, Antaq, entre outras). Mas é a Companhia que responde pela questão e tem todas as informações sobre os produtos e sobre a empresa contratada (pela própria Codesp), especializada em atender emergências com produtos químicos. Além disso, o material encontra-se em área sob sua responsabilidade”.

Questionada sobre a situação e os planos emergenciais, a Codesp informou que “no momento não há novidades sobre o assunto. Manteremos os órgãos de imprensa informados na medida que surgirem novas definições sobre o caso”. Ainda, por telefone, afirmou que os questionamentos foram respondidos à imprensa após a reunião do Condema e que não se pronunciará mais enquanto não houver novas informações.

Foto: JCN

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