
Funcionários do quadro da saúde, contratados no período emergencial, abandonaram seus postos após o resultado do processo seletivo para o setor, que visou o preenchimento de 250 vagas para serviços no Hospital de Bertioga, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). As inscrições para o novo processo seletivo, publicado no Boletim Oficial do Município (BOM) de sexta-feira, 19, encerraram-se no dia 23, com o recebimento de currículo de cerca de 2.800 pessoas. Os funcionários deveriam permanecer em suas funções até este sábado, dia 27.
Na sexta-feira, 26, o atendimento foi prejudicado com o abandono dos funcionários; mesmo assim, as consultas foram mantidas, conforme informou o secretário de Saúde Jurandyr das Neves. “Só [houve] alguns buracos na recepção. Estou com 90% deles lá, todos os médicos trabalhando, não temos espera, nada disso”.
A munícipe Priscilla Fernandes Ferreira afirmou ter procurado pediatra para seu filho de sete anos, na UPA, por volta das 9h30 de sexta-feira, com quadro de vômitos e dores de cabeça, no entanto, não teria conseguido atendimento. Disse ela: “Quando fui fazer a ficha, na porta já me informaram que não tinha médico, somente uma enfermeira, porque estavam indo para a prefeitura fazer protesto. Voltei pra casa com meu filho”. A moradora afirmou que ficou pouco tempo no local após o aviso.
O secretário de Saúde informou que, na ocasião, havia dois pediatras de plantão na UPA e justificou possíveis ausências: “Ninguém tem que sair do plantão, pode ser que algum estivesse na sala de parto, eventualmente”.
Protesto
Cerca de 40 funcionários, não selecionados no novo processo seletivo, cruzaram os braços em frente à UPA e afirmaram que não retornariam a seus postos. É o que alegaram pela manhã, no local, entre eles, a auxiliar de limpeza Marta de Oliveira Souza: “Nós estamos indignadas, mandar a gente embora. A gente quer reivindicar nossos direitos. A gente quer nosso emprego. Só que hoje a noite é plantão da gente – ninguém vai vir. Por que a gente vai vir se o nome da gente não está na lista; eles convocaram outras pessoas?”. Ela contou que nenhuma das funcionárias da higienização, de todos os períodos, foi mantida.
Porteiro no local há três anos e meio, Daniel de Oliveira reclamou que “houve uma falta de respeito, mais uma vez, com os poucos bons profissionais que aqui trabalham”. Ele relatou que mais de 90% dos convocados no novo processo seletivo não são os mesmos que foram contratados anteriormente. Disse ele: “A gente não sabe qual critério eles estão utilizando para esse tipo de contratação [...]. Como a gente vai continuar trabalhando por mais dois plantões sabendo que nosso nome não está lá? Por mais profissional que a gente seja, não veio ninguém conversar com a gente aqui e eu quero saber o que vai acontecer com a gente daqui para frente”.
Abandono
A prefeitura esclareceu que os funcionários dispensados foram contratados durante a situação de emergência na Saúde, que encerra no domingo, 28, por isso, eles não poderiam permanecer nas funções. Disse, ainda, que “a situação do processo seletivo tem como base a manutenção da continuidade do serviço público. Foi feita por 90 dias essa contratação, pra dar tempo de realizar o processo de chamamento público, via organização social”.
De acordo com a prefeitura, a seleção dos candidatos “foi feita com base em critérios objetivos, técnicos, que atendem com mais qualidade à população. Assim que o resultado saiu, hoje de manhã, muitos funcionários que não passaram, abandonaram os postos de trabalho. Mesmo assim, os atendimentos estão sendo realizados”.
O abandono do posto antes do encerramento do contrato foi criticado pelo secretário Jurandyr das Neves, que comentou o caso: “Isso é uma irresponsabilidade, eles têm um contrato de trabalho, que termina amanhã [27], então, o fato de eles não serem reconduzidos, não é igual a não trabalhar. Se cometerem essa irresponsabilidade, de não trabalharem voluntariamente, como eu assisti em uma entrevista agora, a gente vai, fora descontar, responsabilizar as pessoas”.
Ele também reforçou que as demissões são uma imposição legal. Disse ele: “Não é com gosto que a gente faz isso, ninguém tem gosto, só que, hoje, você tem uma demanda tão reprimida no mercado, que você tem profissionais, muitas vezes com currículos melhores, com experiências melhores, que acabaram, de algum jeito, substituindo esses outros”.
O Sistema Costa Norte fez uma enquete em sua página no Facebook, para identificar munícipes que tiveram problemas no atendimento na UPA durante o dia, no entanto, não houve relatos.
Mayumi Kitamura
Bertioga
Foto: JCN