PREOCUPAÇÃO

Faculdade ou aposta? Bets viram obstáculo para graduação no país

Maioria dos apostadores é jovem, da classe C, e já precisou trancar curso ou atrasar mensalidades por causa das plataformas


Redação
Publicado em 10/07/2025, às 09h56

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Faculdade ou aposta? Bets viram obstáculo para graduação no país
Estudo nacional mostra que apostas esportivas virtuais têm impacto direto na decisão de ingressar ou permanecer na faculdade - Imagem ilustrativa/Niek Doup/Unsplash


Os jogos de aposta on-line, popularizados como bets, estão interferindo cada vez mais na vida acadêmica de jovens brasileiros. Segundo pesquisa divulgada em abril de 2025, 33,8% dos entrevistados adiaram o ingresso na faculdade por causa dos gastos com apostas, e 34,4% precisarão parar de apostar para iniciar um curso superior em 2026.

O levantamento é da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), realizado com o apoio do instituto Educa Insights. Intitulado O Impacto das Bets 2, o estudo ouviu mais de 11 mil pessoas, entre 20 e 24 de março deste ano, de todas as regiões do país e classes sociais, com foco no público de 18 a 35 anos.

Para o diretor-geral da Abmes, Paulo Chanan, o cenário preocupa. “O fenômeno está se aprofundando e afetando, principalmente, os jovens das classes C e D”, afirmou à Agência Brasil. Segundo ele, o país ainda carece de maturidade social e regulação eficiente sobre o tema.



Perfil dos apostadores se mantém estável desde 2024

Os dados mostram que o perfil de quem aposta não mudou desde a primeira edição da pesquisa, realizada em setembro de 2024:

  • 85% são homens;
  • 85% trabalham atualmente;
  • 72% têm filhos;
  • 38% pertencem à classe B e 37% à classe C;
  • 79% têm o salário como principal fonte de renda;
  • 40% estão na faixa entre 26 e 30 anos, e 30% entre 31 e 35 anos.

O estudo reforça a preocupação sobre o comprometimento financeiro com bets, principalmente, em faixas etárias que concentram o maior volume de potenciais ingressantes no ensino superior privado.

Ensino superior já sente os reflexos

Entre os entrevistados que já ingressaram na graduação, 14% atrasaram mensalidades ou trancaram o curso devido às apostas. No recorte específico dos alunos de faculdades particulares, 35% dizem que precisarão interromper os gastos com bets para seguir estudando.



Com base no Censo da Educação Superior 2023, a Abmes projeta que quase 1 milhão de estudantes (exatos 986.779) poderão deixar de iniciar a graduação em 2026 caso mantenham o comprometimento financeiro com apostas.

Apostas já fazem parte da rotina de metade dos entrevistados

Os dados revelam que 50% dos entrevistados apostam com frequência, de uma a três vezes por semana. A maioria está concentrada nas regiões Sudeste (41%) e Nordeste (40%). A quantidade de pessoas que apostam mais de R$ 350 também aumentou. Em setembro de 2024, eram 30,8%, enquanto em abril de 2025, esse número saltou para 45,3%.

Quanto à recuperação desses valores, 22,9% afirmaram não conseguir reaver o dinheiro investido, número que, embora menor do que o registrado na edição anterior (30,3%), segue elevado.



Riscos se estendem ao cotidiano e à saúde

O impacto vai além da sala de aula. O estudo apontou que os prejuízos com bets também afetam outros aspectos da vida dos jovens:

  • 28,5% deixaram de sair com amigos ou frequentar bares e restaurantes;
  • 23,6% interromperam atividades físicas, como academia e esportes;
  • 20,9% abandonaram cursos de idiomas ou outras formas de capacitação.

Propostas incluem regulação e campanhas educativas

Apesar de não se posicionar contra a regulamentação do setor, a Abmes defende que é urgente estabelecer limites, controle e políticas públicas de conscientização sobre o uso excessivo dessas plataformas. “A solução precisa ser multissetorial”, enfatizou Paulo Chanan.

Uma das saídas propostas pela associação é a realização de campanhas educativas permanentes, principalmente, em escolas e instituições particulares de ensino superior. O objetivo é informar jovens e famílias sobre os impactos das apostas no orçamento pessoal, na educação e na saúde mental.



* Conteúdo elaborado a partir de publicação da Agência Brasil

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