Resíduos sólidos

Estudo do IPT aponta catadores como essenciais para a solução do problema do lixo

Quase metade das duas toneladas diárias de resíduos gerados na Baixada Santista tem potencial para reciclagem

Estela Craveiro
Publicado em 19/03/2018, às 13h00 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h36

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Audiência pública do Plano Regional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Baixada Santista - Divulgação/AGEM
Audiência pública do Plano Regional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Baixada Santista - Divulgação/AGEM

Nas próximas semanas, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) deve entregar o Plano Regional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Baixada Santista aos prefeitos das nove cidades da região. A partir daí, cada município deve decidir que destino dará ao seu lixo, utilizando as estratégias e ações propostas pelo estudo, que estabelece quatro princípios, três diretrizes, 26 estratégias e 180 ações, com o envolvimento de 13 alternativas tecnológicas, trabalhando com cenários de curto prazo, de um a cinco anos; médio prazo, de cinco a dez anos; e longo prazo, até 20 anos.

O IPT foi contratado pela Agência Metropolitana (Agem), com financiamento do Fundo de Recursos Hídricos do Estado (Fehidro) e tem a Cetesb como agente técnico. O documento deve incluir manifestações registradas na audiência pública na qual foi apresentada a quarta e última etapa do estudo, em Praia Grande, em 7 de março. Dela participaram cerca de 140 pessoas, entre catadores de material reciclável, ambientalistas, integrantes de conselhos municipais de meio ambiente (Condema), representantes das prefeituras e membros de fóruns que atuam em defesa da cidadania.

O estudo considera que a separação de resíduos na fonte é primordial em todos os cenários. O IPT identificou 11 cooperativas na região, e prevê que, em cinco anos, haja outras 19. O plano trabalha, ainda, com um cenário de referência, no qual o investimento em separação e reciclagem pode reduzir, no primeiro ano, 6% da quantidade de resíduos depositados em aterros. Em 20 anos, a meta é reduzir 36%.

Para os técnicos do IPT, a categoria dos catadores é fundamental para solucionar a gestão dos resíduos sólidos. Os dados apurados mostram que 44% das cerca de duas toneladas diárias de resíduos gerados na Baixada Santista têm potencial para reciclagem, o que equivale a aproximadamente 817 toneladas por dia.

Atualmente, dos nove municípios da Região Metropolitana, sete têm como destino final dos resíduos o aterro do Sítio das Neves, em Santos, com vida útil prevista para maio de 2019. Itanhaém transporta cerca de 90 toneladas de resíduos por dia para o aterro Lara, em Mauá, no Grande ABC, a 100 quilômetros de distância. Peruíbe tem aterro próprio, no Jardim Márcia II, que recebe quase 80 toneladas de resíduos diariamente, e também está próximo do seu limite.

O fator complicador do problema para a Baixada Santista é que, pela natureza geográfica da região, não há solução padrão, pois 60% do território da Baixada Santista têm algum tipo de restrição ambiental, explica Cláudia Echevenguá Teixeira, coordenadora do estudo e diretora do IPT: “Por isso, nossos técnicos e pesquisadores foram a campo para analisar processos junto ao Ministério Público, coletar e fazer análises de amostras de resíduos dos nove municípios da região, conversar com as diversas entidades e organizações que atuam nesse segmento. Buscamos envolver os mais diversos setores da sociedade”.

A Secretaria de Meio Ambiente de Bertioga informa que aguarda a entrega oficial do estudo, para aprofundar as discussões sobre a solução do problema do lixo na prefeitura. Uma das alternativas indicadas no plano, para a cidade, a curto prazo, é o envio do lixo para o aterro Lara, em Mauá.

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