Escolha profissional e qualidade de vida


Costa Norte
Publicado em 18/04/2016, às 08h05 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h08

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Por Cristina Ventura

Convivendo no ambiente da educação profissional há mais de 20 anos, pude acompanhar muitas histórias de vida e observar transformações na carreira que tinham como motivação questões pessoais. A princípio, era apenas curioso observar, na prática escolar, profissionais das mais diversas áreas dedicarem parte do seu tempo a uma nova formação.

Eram diferentes percursos formativos. Tratava-se de arquitetos, advogados, professores, contadores, assistentes sociais, psicólogos, administradores de empresa, artistas plásticos, engenheiros, pedagogos, enfermeiros, dentistas, enfim, uma infinidade de profissionais que, por alguma razão, buscavam habilitação técnica como uma nova perspectiva de vida.



Percebia-se que não era uma situação passageira e isolada, mas algo que se manifestava em um crescendo e se refletia em todas as áreas do conhecimento. Seria uma questão financeira, uma questão de mercado (empregabilidade)? Ou a busca de novos campos para realização pessoal? Ou ainda a “sobrequalificação” que dificulta sua colocação no mercado e o leva a buscar novos caminhos?

O novo cenário do mercado modificado pela globalização da economia, que nos trouxe como resultado o desemprego estrutural e a precarização das condições de trabalho, modificou também a relação entre qualidade de vida e escolha profissional. Ser bem-sucedido no mundo corporativo é o sonho de qualquer pessoa, porém para alcançar esse sucesso, via de regra, é preciso muita dedicação, o que implica esquecer um pouco o lazer e a vida sentimental, por exemplo. Contudo, não podemos esquecer do equilíbrio entre o físico e o emocional, uma vez que a infelicidade e a desmotivação podem ser geradoras de doenças.

E fica a pergunta: até que ponto uma inadequada escolha profissional pode gerar sentimentos de desprazer e frustração mesmo quando bem remunerada?



Enfim, todas as hipóteses acima podem ser verdadeiras, pois cada um carrega consigo uma história e suas razões; porém, a minha percepção, e fico feliz por isso, é que sentimentos como bem-estar, felicidade, amor, prazer e realização pessoal estão presentes nas escolhas tanto da nova geração como nas anteriores, e, talvez por isso, o redirecionamento de carreira. Não podemos desvincular trabalho e mundo. O modo como ensinamos e aprendemos está diretamente relacionado e ligado às exigências da época na qual vivemos. É bem possível que no futuro próximo surjam novas ocupações com que nem sonhamos hoje, e precisamos estar abertos para isso.

A competência e o engajamento profissionais são fontes de autoestima do trabalhador, considerados fatores importantes para ter qualidade de vida. Ainda assim, amar é o primeiro passo para fazer da sua vida, e da vida dos outros à sua volta, uma experiência agradável. Afinal, felicidade não depende apenas das coisas que você possui, mas da pessoa que você é.  Por isso, escolha uma carreira em que possa rir, se divertir, conviver, e se for necessário, mude, recomece, volte aos estudos e seja feliz. Pense sobre isso.

*Cristina Ventura é coordenadora do Senac Bertioga, mestre em educação pela Universidade Metodista de São Paulo e possui ampla experiência na área de educação.



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