Escola Estadual Professor Armando Bellegard festeja seus 50 anos

Estela Craveiro
Publicado em 27/11/2017, às 12h27 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h15

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Estela Craveiro
Estela Craveiro
O aniversário será celebrado em cerimônia marcada para 9 de dezembro, com apresentações musicais dos alunos e da fanfarra

Filho de coronel, nascido em São Paulo, em 1885, o professor Armando Bellegard foi um pioneiro em educação. Formou-se na Escola Normal do tradicional colégio paulistano Caetano de Campos, em 1906, lecionou e dirigiu escolas no interior paulista e se radicou em Santos, na qual foi diretor do Grupo Escolar Cesário Bastos, até se aposentar, em 1946. Paralelamente, por 30 anos, deu aulas de alfabetização para adultos, o que era incomum na época, na Escola Docas de Santos.  Já aposentado, criou, junto com Aldo de Assis Dias, juiz de menores de Santos, a Casa de Estar, para trabalhar com menores abandonados, naquele tempo, também incomum.

Aos 84 anos, Bellegard morreu em 20 de outubro de 1967. Em 30 de novembro daquele ano, o Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou a lei número 9.925, aprovada dois dias antes, determinando que, em Bertioga,  então um subdistrito de Santos, o Grupo Escolar Vicente de Carvalho passaria a se chamar Grupo Escolar Professor Armando Bellegard, em sua homenagem. Tal data firmou-se como a de aniversário do colégio, que agora completa 50 anos.

A exemplo do professor Bellegard, esta, que é a primeira escola de Bertioga, e a maior, também tem a marca do pioneirismo.  Na realidade, sua história começou em 1915, com a criação da Escola Isolada Mista de Bertioga. Funcionava onde hoje fica a Casa da Cultura e era a única que oferecia os quatro anos do curso primário.  Até havia uma escola em Itatinga, com aulas dos dois primeiros anos, e no Indaiá, com aulas até o terceiro ano, lembra o professor Wanderley Dias Cordeiro, um estudioso da história da educação em Bertioga, que lecionou língua portuguesa no Bellegard por seis anos. Quem quisesse o diploma do primário tinha que ir para lá, na qual moradores de bairros distantes, como São Lourenço, chegavam de barco.

Mandar os filhos para a escola, então, não era obrigatório, como hoje. Ginásio, correspondente ao ensino fundamental 2, e clássico e científico, opções de curso correspondentes ao ensino médio, só havia em Santos, depois também no Guarujá, ou por correspondência.  Nascida em Bertioga, hoje com 82 anos, Elsa Prudente Ferreira estudou na Escola Isolada Vicente de Carvalho, de 1942 a 1945, e foi a primeira funcionária contratada pelo Grupo Escolar Professor Armando Bellegard. Ela guarda doces lembranças do seu tempo de estudante: "A escola era boa, bem puxada".  Dos sete anos de trabalho, lembra as dificuldades e a união entre professores e funcionários.

Ela conta: "A escola era muito pobre, faltava muita coisa, tinha goteiras quando chovia. Naquele tempo, nada era dado de graça. Montei uma cantina e, com o dinheiro dos lanches, comprava lâmpadas e ajudava nas formaturas no fim do ano. Fazia de tudo, era servente, tomava conta dos alunos na hora de entrar, carimbava cadernetas, ficava com as chaves, era a última a sair. Os professores vinham de Santos e do Guarujá. Eu fazia comida em casa e levava para eles. Sempre me convidavam para as festas fora da escola".

Segundo o professor Wanderley, depois de muita luta de moradores de Bertioga, especialmente de José Francisco Nemésio, morador de Itatinga, que queria que suas filhas estudassem, em 29 de janeiro de 1969, a lei paulista número 51.535 transformou o grupo escolar no Ginásio Estadual de Bertioga. Acompanhando as modificações do sistema de ensino, veio então uma sucessão de mudanças na estrutura e no nome do estabelecimento, que passou a se chamar Escola Estadual de Primeiro Grau Vila Itapanhaú; depois, Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus, e, finalmente, em 1980, Escola Estadual Professor Armando Bellegard.

Ao longo dos anos, os cursos oferecidos também mudaram. Além do ensino de primeiro e segundo graus, com diferentes nomes, a escola já ofereceu formação profissionalizante básica do setor terciário, habilitação de segundo grau para o magistério e suplência do primeiro e segundo graus. Hoje, localizado no Centro, com cerca de 50 professores e 15 funcionários, o colégio tem suas 11 salas de aulas utilizadas em três períodos, por mais de 1.200 alunos do ensino fundamental 2 e do ensino médio, que moram em vários bairros.

Atualmente, conta a vice-diretora Desirée Donda, além do ensino fundamental 2 e do ensino médio, a instituição mantém atividades curriculares desportivas  (Acd) no contraturno. Mantém uma sala de recursos, para estudantes com necessidades especiais de todas as escolas estaduais da cidade, que precisem de apoio pedagógico, no contraturno das aulas deles; possui uma fanfarra e participa do projeto Clorofila, da Sobloco. O colégio tem alunos que fazem parte do projeto Música para Todos, da Associação Cultural da Criança e do Adolescente de Bertioga (Acica), e que, como voluntários, dão aulas para outros estudantes do projeto Mais Educação, do Ministério da Educação.

Em 2017, o colégio aderiu ao projeto Escola da Família, do governo paulista. Aberto a familiares de estudantes de todo o município, oferece atividades como oficinas de artesanato, capoeira e panificação, nos fins de semana, e tem feito sucesso. O envolvimento dos alunos com a escola aumentou, por exemplo, nos cuidados com o patrimônio. E já se notam outras mudanças, como observa Patrícia Dias de Freitas, que estudou no Bellegard e, hoje, leciona matemática para o sexto ano: "As famílias de muitos alunos das minhas turmas participam e gostam, e o rendimento de alguns já mudou".

Pelos relatos históricos do Bellegard, nota-se uma tendência ao grande envolvimento dos docentes. A professora Deise Camargo Cruz, que lecionou geografia lá por 18 anos, é um dos casos. Mesmo aposentada desde 2011, ela participa da organização da cerimônia de comemoração dos 50 anos da instituição, que será realizada em 9 de dezembro, com apresentações musicais dos alunos e da fanfarra do colégio. Deise lembra carinhosamente de atividades extraclasse, como excursões às cachoeiras da Serra do Mar e plantação de eucaliptos e camélias no pátio da escola.

Da mesma forma, o professor Valter Altino da Silva, que dá aula de geografia há 30 anos, desde 2001 participa ativamente da vida esportiva do Bellegard, junto com o professor de educação física Diogo Shimenti, movimentando cerca de 150 alunos: "Em 15 anos, conquistamos 150 medalhas e troféus dos Jogos Estudantis de Bertioga". Para Gisele Cabral Gonçalves, diretora do Bellegard desde 2014, a razão de tal envolvimento e do destaque do Bellegard no cenário do ensino é simples e permeia toda a história da instituição: "Somos uma escola acolhedora".

Estela Craveiro

fotos: JCN

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