Ernane pretende dobrar área de proteção da APA Baleia/Sahy


Costa Norte
Publicado em 25/11/2016, às 09h16 - Atualizado em 23/08/2020, às 15h40

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Foto: Divulgação

São Sebastião

Da redação



O prefeito de São Sebastião Ernane Primazzi anunciou, em  evento em São Paulo, dia 21, ter enviado à Câmara Municipal projeto de lei para ampliação da APA (Área de Preservação Ambiental) Baleia /Sahy, na costa sul do município, de dois milhões de metros quadrados para quatro milhões de metros quadrados, o que, segundo Ernane, possibilitará uma maior proteção da área contra a especulação imobiliária e ações de grileiros.

O anúncio ocorreu em evento no qual o prefeito, juntamente com o secretário de Meio Ambiente do município, Eduardo Hipólito do Rego, receberam homenagem do  Instituto Conexão Costeira (ICC), pelo trabalho que resultou na criação da APA, em 2013, e pela iniciativa inovadora de firmar uma parceria sem custos ao erário público, que permite que o ICC exerça a cogestão da APA, juntamente com a administração pública.

A iniciativa de ampliar a área deve-se ao trabalho de levantamento do ICC junto com equipe da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), que concluiu ser o perímetro inicial passível de ampliação  por questões ambientais, levando-se em conta a junção de vários ecossistemas próprios da APA e não vistos em outros lugares. Eduardo Hipólito explica: “Estes ecossistemas, marinha e Mata Atlântica, estão muito ameaçadas e, com a ampliação, aumentamos o poder de proteção”.



Ainda de acordo com o secretário, estudos detectaram que não apenas os pescadores serão beneficiados, mas também os artesãos locais. “Com a criação do plano de manejo, os artesãos que hoje não podem extrair a matéria-prima para seus trabalhos, como a caxeta e taboa, em um futuro próximo poderão fazê-lo, o que será de grande relevância para sua subsistência”. Com tudo isso, de acordo com Hypólito, a APA Baleia/Sahy passa a ser mais do que um mapa com dados, para tratar também das questões do ecoturismo, pesca e artesanato com mais carinho e cuidado.

Ainda segundo Eduardo Hipólito, a APA beneficia a comunidade estudantil, a exemplo do Instituto Verdescola, que utiliza a área como laboratório vivo para seus estudos.

Fiscalização conjunta



O prefeito disse ter ficado satisfeito com o reconhecimento da criação da APA, muito importante para a  preservação de mais de 80 espécies ameaçadas de extinção e da área, propriamente dita.  Ele ainda frisou o risco potencial que as ocupações na região têm gerado. "É possível utilizar essa região sem prejudicar o sistema ecológico, que é bastante rico. Mas, se deixarmos, em vez do mangue, logo nós teremos somente um esgoto a céu aberto.  Sem a ajuda de iniciativas como o ICC, fica impossível para a municipalidade fazer ações com eficácia. São Sebastião tem uma orla muito extensa, com mais de 100 quilômetros. É humanamente impossível para uma cidade como a nossa fiscalizar um território tão grande. O ICC tem nos ajudado muito", observou.

A presidente do ICC, Fernanda Carbonelli, destacou que o sucesso do projeto de preservação passa pela integração com a sociedade local. "Ao longo dos anos, percebemos que precisamos fazer muito mais do que apenas trabalhar para preservar um milhão de metros quadrados de mata nativa. Precisamos engajar os veranistas, os moradores, as comunidades de pescadores e trabalhadores artesanais. Trabalhamos no desenvolvimento de projetos de turismo sustentável, arregimentando essas pessoas e diversos colaboradores; pesquisamos modelos de unidades internacionais de preservação e  idealizamos formas de usar o rio como fonte de renda, visando tornar isso não apenas uma questão de preservação, mas de integração com a sociedade, com as pessoas que vivenciam o dia a dia, muitas vezes difícil, da região. Uma das nossas principais estratégias foi essa integração e, sem o apoio da prefeitura, jamais teríamos alcançado o sucesso do projeto”.

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