Alfinetada foi durante a entrega das vacinas Coronavac, na manhã desta quarta-feira, 20

A cidade de Santos já tem armazenadas 9.560 doses da vacina Coronavac, que chegaram na terça-feira, 19, enviadas pelo Grupo de Vigilância Epidemiológica do estado de São Paulo. Nesta quarta-feira, 20, durante entrevista coletiva, ocorrida no ato simbólico de início da vacinação no município, o governador João Doria espetou o governo federal ao cobrar 300 doses da vacina Oxford/AstraZeneca, segundo ele prometidas, e que ainda não chegaram ao país.
São Paulo começou a vacinar a população contra a covid-19 no domingo, 17, logo após a aprovação do uso emergencial da vacina do Instituto Butantan pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O Instituto Butatan produziu inicialmente 6 milhões de doses da vacina Coronavac, das quais o governo de São Paulo encaminhou 4,6 milhões ao Ministério da Saúde e segurou 1,4 milhões de doses para a vacinação no estado.
Preocupado com a continuidade da imunização no estado e no país, o Instituto Butantan já pediu à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o registro emergencial para um segundo lote de 4,8 milhões de novas doses da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela instituição em parceria com a biofarmacêutica Sinovac.
Em Santos, Dória afirmou que “até o momento, o Instituto Butantan não recebeu nenhum centavo do governo federal” para a produção da Coronavac. Ele lembrou que a China é quem tem os insumos para a produção, também, da vacina de Oxford, aprovada pela Anvisa, e fez um apelo ao governo Federal, ao Ministério das Relações e ao próprio presidente da república Jair Bolsonaro: “Tratem bem da China, respeitem a China, respeitem quem está produzindo insumos para salvar a vida de brasileiros”.
A China e a India são os principais produtores do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), matéria prima fundamental para a produção tanto da Coronavac, imunizante do governo do estado de São Paulo produzido no Instituto Butantan, quanto para a vacina produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o laboratório AstraZeneca e Universidade de Oxford, do Reino Unido.
Questionado sobre a quantidade de vacinas entregues, Doria defendeu-se: “Quem cuida do Programa Nacional de Imunização é o Ministério da Saúde. Foi o Ministério da Saúde que atestou, informou e exaltou que teríamos dois milhões de doses da vacina AstraZeneca, vindo da Índia, que fez o espetáculo de levar um avião, adesivado, logotipado ao aeroporto de Guararapis, no Recife, para voar até a Índia, para buscar a vacina. E o que aconteceu? Nada! Nem o avião decolou, nem a vacina chegou. Não fomos nós que prometemos 300 milhões de doses da vacina de Oxford.”
Doria ainda voltou a repetir: “Só temos a vacina do Instituto Butatan, porque nós trabalhamos intensamente, e com recurso dos contribuintes de São Paulo. Não temos vacinas, não temos seringas, não temos agulhas, e temos milhões de testes que foram inutilizados porque foram esquecidos num depósito do MS, no Aeroporto de Guarulhos”.
Santos havia solicitado 104,419 doses da vacina, das quais 23,885 para os profissionais de Saúde e 80.534, para idosos. Mas recebeu apenas 9,560, assim como as demais cidades da região, que receberam doses menores do que as solicitadas e tiveram que readequar seus programas de vacinação.
Como o governo estadual abriu mão de seu plano de vacinação e aderiu ao Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, os municípios passarão a depender da destinação de mais doses por parte do governo federal.
A Coronavac é desenvolvida em parceria entre o Instituto Butantan e a biofarmacêutica Sinovac Biotech. De acordo com o governo estadual, 94,7% dos voluntários não tiveram evento adverso. Dos que apresentaram alguma reação, 99,7% relataram sintomas de baixa gravidade, como dor no local da injeção e dor de cabeça leve. Artigo publicado na revista científica The Lancet apontou que a vacina do Butantan produziu resposta imune em 97% dos participantes dos estudos.
A taxa de eficácia da vacina Coronavac, segundo os estudos realizados, é de 50,38%, ou seja, de cada cem pessoas vacinadas que tiveram contato com o vírus, 50,38% não manifestaram a doença. Dentre os que ficaram doentes, a vacina reduziu em 78% a chance de ter uma doença leve, que precise intervenção médica.