DER pretende extinguir serviço de resgate na Rio-Santos

Costa Norte
Publicado em 06/10/2017, às 12h35 - Atualizado em 23/08/2020, às 16h11

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O prefeito Caio Matheus levou o assunto ao governador Geraldo Alckmin, que intercedeu junto ao secretário estadual de Logística e Transportes para tentar reverter a decisão

A rodovia SP-55, a Rio-Santos, está prestes a perder o serviço de resgate de vítimas de acidentes de trânsito com a ambulância mantida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), por meio da Sansim Serviços Médicos. O serviço do DER, baseado próximo à entrada de Bertioga, cobre o trecho dessa pista entre Guarujá e São Sebastião, do quilômetro 248 ao 128, e também, o trecho da rodovia Mogi-Bertioga até o alto da serra, entre os quilômetros 98 e 78.

Esse posto de resgate é o único mantido em estradas paulistas e responde pelo atendimento a vítimas de cerca de 60 acidentes por mês, em média, dois por dia, entre as duas pistas. De janeiro a setembro de 2017, a Polícia Rodoviária registrou 93 acidentes entre os quilômetros 78 e 98 da Mogi-Bertioga, dos quais 35 com vítimas, 11 graves e quatro com mortes. No mesmo período, apenas entre os quilômetros 191 a 248 da Rio-Santos, houve 290 acidentes, dos quais 116 com vítimas, 27 graves e 11 com vítimas fatais.

A Sansim confirma o encerramento do contrato com o DER em 28 de outubro, data da conclusão do aviso prévio de demissão dos 19 funcionários do serviço, entre enfermeiros, condutores e técnicos socorristas. Daí em diante, informa a Secretaria de Logística e Transportes do Estado de São Paulo, ao qual o DER é vinculado, a responsabilidade por esse resgate de vítimas de acidentes caberá apenas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e às bases do Corpo de Bombeiros de Santos, Guarujá, Bertioga, São Sebastião e Mogi das Cruzes.

O prefeito Caio Matheus solicitou audiência com Laurence Casagrande, secretário estadual de Logística e Transportes, a fim de reverter a decisão, como explica: “Para maior celeridade, aproveitei a visita do governador Geraldo Alckmin à Baixada Santista, na última quinta-feira [dia 5] para solicitar a permanência do serviço de resgate do DER. Entendendo a importância da manutenção deste serviço, que tanto tem contribuído para salvar vidas, o governador prontamente entrou em contato com o secretário para tratar sobre o assunto. Estamos aguardando o retorno sobre essa demanda”.

O prefeito deve comparecer à audiência na companhia da vereadora Valéria Bento (PMDB), que conta com o apoio dos demais vereadores da Câmara Municipal de Bertioga, para tentar impedir a extinção do serviço, e envolver o Poder Legislativo dos municípios de Santos, Guarujá, São Sebastião e Mogi das Cruzes, que também serão afetados pela mudança. Diz ela: “Todo ano é a mesma novela. O DER não quer renovar contrato com a empresa que presta o serviço. Se o governo do estado está passando por problemas financeiros, que economize em outras frentes, e não pondo as nossas vidas em risco. Queremos que o serviço de resgate permaneça, como conseguimos no ano passado”.

Os socorristas do DER têm um equipamento que corta a carenagem dos veículos para retirar vítimas prensadas. Ana Paula Martins, coordenadora do Samu de Bertioga, explica que o Samu, o Corpo de Bombeiros e o resgate do DER trabalham em conjunto, para minimizar as sequelas dos acidentados: “O DER e os bombeiros fazem a parte de resgate, e o Samu faz a parte de socorro. Qualquer um dos serviços que falte vai acarretar prejuízo para as pessoas que serão atendidas. Os bombeiros contam com um caminhão grande, que demora mais para chegar, e eles têm o mesmo equipamento desencarcerador que o veículo do DER. Só que, por ser menor, a ambulância do DER chega muito mais rápido. Nós, do Samu, temos o material para fazer o socorro às vítimas, mas não temos esse equipamento para fazer o resgate”.

Quanto maior a demora em resgatar as vítimas dos veículos e prestar o socorro, maiores são as chances de sequelas e risco de morte. As consequências da desativação do serviço de resgate do DER devem ir além. Com duas ambulâncias, mensalmente, o Samu atende de 500 a 700 pessoas, inclusive acidentados e atropelados em toda a extensão da cidade. Ana Paula diz que “na temporada, vamos ficar em uma situação bem sensível para atender não só nossos munícipes, mas também os turistas. Teremos uma demora a mais no atendimento interno da cidade pela falta que o serviço do DER vai fazer”.

Os 6º Grupamento de Bombeiros, por sua vez, continuará no atendimento aos chamados por acidentes nas rodovias que cortam Bertioga com o caminhão autobomba, para incêndio e salvamento, até a chegada da ambulância do Samu e de unidades de resgate dos postos de bombeiros dos municípios de cada trecho da estrada nas quais houver ocorrências, informa o comando do Corpo de Bombeiros.

Bertioga Estela Craveiro

Foto: Divulgação

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