Pandemia

Covid-19: Prainha Branca registra 29 casos da doença

Pequeno vilarejo no Guarujá, com acesso por mar ou trilha, já perdeu uma moradora para a covid-19 e tem um internado em UTI


Eleni Nogueira
Publicado em 30/06/2020, às 09h01 - Atualizado em 23/08/2020, às 23h52

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Moradores fazem revezamento para carregar doente pela trilha - Arquivo pessoal/Divulgação
Moradores fazem revezamento para carregar doente pela trilha - Arquivo pessoal/Divulgação


Uma das mais belas praias do Guarujá, a Prainha Branca, localizada na divisa com Bertioga, abriga uma comunidade tradicional de cerca de 370 moradores, a maioria com laços familiares, que vivem um drama: a contaminação por covid-19. No total, de acordo com informações da prefeitura de Guarujá e da Sociedade Amigos da Prainha Branca, 29 pessoas testaram positivo e uma moradora faleceu. 

Há cerca de três semanas, muitos moradores começaram a sentir sintomas compatíveis com a doença, como febre, dores e fraqueza. Logo em seguida, uma moradora, de 83 anos, foi internada no Hospital de Bertioga, teve o exame confirmado para covid-19 e não resistiu.

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Uma outra moradora, de 92 anos, faleceu na semana seguinte, mas o resultado do exame ainda não saiu. Outros três moradores tiveram os testes confirmados, um homem de 56 anos está internado em UTI, em Santos, há sete dias; uma mulher, de 85, também foi internada em Santos, em UTI, e teve alta na segunda-feira, 29; e um rapaz de 37 anos está em isolamento, em Bertioga. 

A prefeitura de Guarujá foi acionada e no dia 17 passado encaminhou uma equipe para realizar testagem no local. Foram 40 testes, nas pessoas que apresentavam sintomas, dos quais 25 resultaram positivo para a covid-19. Mas, de acordo com a Sociedade Amigos da Prainha Branca, muitos ainda seguem com sintomas.

A Secretaria de Saúde informou, na tarde desta terça-feira, 30, que todos os confirmados foram orientados e, aos que tinham sintomas, foi prescrita medicação de acordo com cada caso. Informou, ainda, que eles serão monitorados pelas equipes da Usafa, que retornarão à comunidade na quarta-feira, 1, para checagem do estado de saúde.



Isolada, a Prainha Branca é acessada por mar ou trilha (2km). Há uma estrada, mas é particular e precisa de autorização para passar. Este é mais um grande problema a ser enfrentado pelos moradores, pois na hora da emergência, muitas vezes o doente tem de ser transportado pela trilha. Os homens reúnem-se para revezar no carregamento, em uma rede presa a uma madeira. Um grande sacrifício que gera mais sofrimento ao doente e, no caso da covid-19, ainda expõe outras pessoas ao vírus. 

Márcio Flávio, um dos diretores da Sociedade Amigos da Prainha Branca, desabafa: "É uma situação difícil, a comunidade se vira como pode, temos essa herança de solidariedade. Conseguimos apoios de empresários para distribuição de cestas básicas e entramos em contato com a prefeitura para solicitar o apoio e os exames. A gente vai se virando e um ajudando o outro".

A principal atividade da comunidade é o turismo. Desde o dia 15 de março, os moradores paralisaram as atividades, mesmo antes das determinações oficias, para se protegerem do novo coronavírus. A prefeitura mantém barreiras diárias no acesso de quem chega de balsa, por Bertioga, tanto motoristas, quanto pedestres, mas, mesmo assim, a covid-19 chegou e preocupa. 



Os números da Prainha Branca não constavam nos dados oficiais da prefeitura até a manhã de hoje, a prefeitura informou que "devidamente processados e contabilizados pela Vigilância em Saúde, os novos casos passarão a constar do boletim epidemiológico oficial".

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