NINGUÉM AGUENTA MAIS

Conta de luz aumentará 16,4% na Baixada; moradores e comerciantes reclamam de novo aumento

Aneel definiu reajuste em reunião extraordinária; aumento da conta já começa a vigorar neste sábado


Jackson de Paula
Publicado em 21/10/2021, às 22h10 - Atualizado às 23h44

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Conta de luz ficará mais cara já a partir deste sábado (23) Conta de luz aumentará 16,4% na Baixada; moradores e comerciantes reclamam de novo aumento Mão segurando uma conta de luz da CPFL em formato de papel - Ilustração
Conta de luz ficará mais cara já a partir deste sábado (23) Conta de luz aumentará 16,4% na Baixada; moradores e comerciantes reclamam de novo aumento Mão segurando uma conta de luz da CPFL em formato de papel - Ilustração


Prepare o bolso: a conta de luz vai ficar mais cara (de novo). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, em reunião extraordinária nesta quinta-feira (21), um reajuste de 16,40% nas tarifas da CPFL Piratininga. Na Baixada Santista, a empresa atende os clientes de Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande e Vicente de Carvalho, no Guarujá.

A nova tarifa já passa a vigorar a partir deste sábado (23). A Aneel alega que o aumento se dá por conta da escassez hídrica nos reservatórios das hidrelétricas. A agência afirma que a ação é para evitar um reajuste elevado, em virtude dos custos do despacho térmico.

Ainda de acordo com a empresa, um reajuste tarifário vem sendo realizado desde junho com todas as distribuidoras. O objetivo é amenizar o impacto na conta do consumidor.



Já do outro lado da corda está a população, que, naturalmente, reprovou mais um aumento em meio à crise econômica que assola o país. "Hoje o brasileiro sofre cada dia mais. Se já não bastasse o aumento do gás, que fez muita gente até apelar para o fogo à lenha, agora vem mais um aumento da energia elétrica", lembrou a aposentada Jurema Souza, que usou tôm irônico para exemplificar o reajuste. "Daqui a pouco estaremos à luz de velas também. É um absurdo o que estão fazendo com o Brasil", completa ela, que possui imóvel no Centro de São Vicente, uma das cidades afetadas pelo reajuste.

A contabilista Marcela Maduro, do bairro Marapé, em Santos, também mostrou-se incomodada. Embora tenha retornado aos trabalhos em seu escritório, ainda executa serviços via home office, o que irá gerar um aumento em suas despesas. "O custo de vida dentro de casa já havia aumentado durante a pandemia. Esse reajuste de 16% é alto e vai deixar as coisas ainda mais complicadas. Infelizmente teremos que economizar em outras coisas do dia a dia para, no fim do mês, poder fechar as contas", salientou.

Munícipe e empresário local? Duas contas a pagar

O reajuste tarifário também atingiu indústrias e comércios de grande porte. Para os consumidores de 'alta tensão', o aumento será de 5,69%. E ainda há quem seja atingido de 'forma dupla', como é o caso do empresário Leandro Santos. Morador de Praia Grande, também possui comércio na cidade, no bairro Guilhermina, e terá que arcar com dois reajustes simultâneos.



Porém mais do que o pagamento de duas contas, ele lembra que o reajuste tarifário irá interferir no preço das mercadorias. "O aumento na conta de luz vai, mais uma vez, refletir no bolso de diferentes formas. O consumidor final vai pagar mais caro, porque os comerciantes terão que diluir esse custo adicional sobre suas mercadorias. Vivemos um momento econômico bem complicado", alertou.

Outro morador da Baixada que também terá que arcar com duas contas é o empresário Rafael Nobrega, morador do Morro São Bento, em Santos, e comerciante na região do Boqueirão. Ele não enxerga uma explicação plausível para o novo aumento e atribui o reajuste ao governo federal.

"Esse aumento é inexplicável e vejo como um grave erro de estratégia do governo. Se no ano passado tivesse adotado o horário de verão, talvez hoje não estaríamos sofrendo mais um reajuste. É surreal a falta de planejamento, por mais que a crise econômica venha se arrastando há alguns anos", destacou, lembrando que a quantidade de contas e impostos só desmotiva o empresariado de pequeno e médio porte.



"O salário de ninguém aumenta 16% do dia para noite. E nós, empresários, temos diversos impostos e obrigações a cumprir. Esse novo aumento, ainda mais no fim do ano, desmotiva qualquer um que queira empreender", concluiu.

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