
Por Luciana Sotelo
Um dos maiores festivais do país sobre a cultura e o esporte indígena teve início na sexta-feira, 17, e segue até domingo, 19. Realizado conjuntamente pela Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura da prefeitura de Bertioga e o Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena, o evento, que ocorre desde 2001, já atraiu mais de 300 mil pessoas do Brasil e do exterior.
Segundo Carlos Justino Terena, coordenador desportivo/cultural indígena do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, o órgão foi criado em 1992 justamente para a promoção dos desportos tradicionais indígenas. Além disso, veio para fortalecer o movimento indígena que se iniciou no final da década de 1970. Ele explica: “O Festival tem grande significância a todos nós como povos originários desse continente. Em nossas aldeias, há muitas festas e comemorações. O Comitê idealizou a criação do festival, executa toda a programação cultural e paralela, desde a escolha das etnias que participarão do evento e suas atividades. Baseada no segmento das manifestações culturais realizadas nos Jogos dos Povos Indígenas”. Terena também é membro da Comissão Internacional dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.
A programação conta com diversas atividades. Uma das atrações é o Fórum Social Ambiental Indígena, no qual são propostas discussões em torno de assuntos de interesse da comunidade indígena em todo país. O tema será Jogos Mundiais dos Povos Indígenas e os Compromissos com a Qualidade de Vida, e os palestrantes serão Kairo Bernado, representante da prefeitura de Palmas, capital do estado de Tocantins, que sediará os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em setembro deste ano; Carlos Terena, coordenador geral dos jogos e Luís Lobo, consultor do Ministério do Esporte para os jogos.
Dentre as atrações do Festival Nacional da Cultura e Esporte Indígena está o projeto Pegada Ecológica - Calcule aqui o seu impacto pessoal de carbono. Os participantes poderão calcular, na hora, a quantidade de carbono produzido anualmente e a quantidade de árvores necessárias para ser plantadas como forma de diminuir o impacto.
Para neutralizar a emissão de CO2 produzida pelo Festival Nacional da Cultura e Esporte Indígena, a prefeitura de Bertioga plantará, ao longo do ano, cinco mil mudas de palmito juçara, com a participação das escolas municipais.
A beleza da pintura corporal e os costumes de cada etnia estarão presentes na programação, que conta apresentações esportivas. O empolgante futebol de cabeça revela a incrível destreza dos índios, que dão verdadeiros mergulhos no chão para cabecear as bolas rasteiras. Já a corrida de tora mostra a força e integração entre os membros da tribo, que correm com toras de até 100 quilos nas costas.
Os anfitriões guaranis apresentarão, ainda, sua culinária ao preparar os palmitos pupunha e juçara assados e crus. A iguaria é servida pura ou com mel. Durante o evento, o público poderá, ainda, apreciar e adquirir artesanato indígena.
De acordo com o secretário de Turismo, Esporte e Cultura Luiz Carlos Pacífico Júnior, a expectativa sobre a movimentação na cidade é positiva, levando-se em consideração que o festival é uma festa alegre e dinâmica, que sempre reúne um público variado, inclusive estrangeiro, notadamente europeu, que admira muito o contato com a riqueza indígena. Ele diz que, a cada ano, a prefeitura se aprimora, não só na parte cultural, como também com atrativos voltados ao esporte indígena, como o futebol de cabeça e as lutas corporais. “O público interage com os índios e sai pintado com a característica de cada etnia a qual teve contato, um verdadeiro índio brasileiro, como todos nós, que, no fundo, temos um pouquinho dessa essência”.
Quanto à hospedagem e alimentação, Pacífico acredita que haverá uma movimentação crescente e surpreendente. “Temos que reforçar também a importância do potencial histórico de Bertioga, um nicho do turismo que pode ser muito bem explorado, sem esquecer nunca o respeito às etnias que nos prestigiam com as suas culturas”.
O prefeito Mauro Orlandini também está confiante; ele acredita que o propósito vai muito além de mostrar a beleza da cultura indígena. “É um congraçamento entre raças e a demonstração do orgulho que temos dos primeiros povos que habitaram essas terras”.
O festival acontece na Praça de Eventos e no Parque dos Tupiniquins, na praia da Enseada, ao lado do Forte São João, no Centro.
Quadro
Programação
Sábado (18)
9 horas - Abertura do Fórum Social Indígena com o tema: Jogos Mundiais dos Povos Indígenas e os compromissos com a qualidade de vida - Tenda Cultural - Parque dos Tupiniquins;
9h às 20 horas - Oficina projeto Pegada Ecológica Calcule aqui o seu impacto pessoal de carbono;
11 horas - Recreação Esportiva - Canal de Bertioga
- stand up paddle e canoagem com os índios;
14 horas - Apresentações culturais e esportivas - Tenda Cultural – Parque dos Tupiniquins;
15 horas - Futebol entre povos indígenas - Praia da Enseada;
20 horas - Apresentação Cultural e Esportiva - Arena Praça de Eventos: corrida de tora/arco e flecha/futebol de cabeça/cerimônia sagrada e Cunhã Porã: desfile da beleza indígena;
Domingo (19)
9 horas - Feira de Artesanato - Parque dos Tupiniquins
9h às 20 horas - Oficina projeto Pegada Ecológica -Calcule aqui o seu impacto pessoal de carbono;
11 horas - Recreação Esportiva - Canal de Bertioga
- stand up paddle e canoagem com os índios;
14 horas - Apresentações culturais e esportivas - Tenda Cultural – Parque dos Tupiniquins;
15 horas - Futebol entre povos indígenas - Praia da Enseada;
20 horas - Apresentação cultural - Arena Praça de Eventos
- ritual sagrado/arco e flecha/corrida de tora e encerramento.