TRETA NOS MARES

Caravela-portuguesa: conheça o veneno e saiba como agir

A caravela-portuguesa, cujo nome cintífico é Physalia physalis, é uma colonia de seres vivos que vivem agrupados.


Roberto Zaidan
Publicado em 08/09/2021, às 14h39 - Atualizado em 23/11/2021, às 13h52

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Caravela-portuguesa e Dragão Azul são rivais nos mares Caravela-portuguesa e Dragão Azul - Reprodução Costa Norte
Caravela-portuguesa e Dragão Azul são rivais nos mares Caravela-portuguesa e Dragão Azul - Reprodução Costa Norte


A caravela-portuguesa, Physalia physalis, é uma colonia de seres vivos que vivem agrupados. É o único organismo classificado como colônia, no grupo dos cnidários, mesma família das águas vivas. Ou seja, são seres que vivem em colônia, isto é, estão conectados anatomicamente e não sendo um único ser.

Estes seres vivem nas águas de todas as regiões tropicais dos oceanos. Possuem a cor azul ou ainda rosa e roxa, dependendo de diversos fatores ambientais. Seus tentáculos que possuem diversas células urticantes e podem chegar a 50 metros de comprimento.

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Qual é o veneno da caravela-portuguesa?

O que chamamos de veneno é na verdade uma toxina paralisante que, no caso da Caravela-Portuguesa, é muito potente, pode até causas queimaduras e matar um ser humano. De acordo com o professor Dr. Lucio G. Costa:

"Muitas biotoxinas marinhas, como ácido domóico, palitoxina, toxina ciguatera, saxitoxina e tetrodotoxina são produzidas pelo fitoplâncton e algumas espécies de invertebrados e peixes. Essas biotoxinas marinhas podem afetar as funções neurológicas, de modo a induzir riscos à saúde ou mesmo à morte."

O que fazer se for picado por uma caravela-portuguesa?

Apesar da forma curiosa e da cor exótica, caravela-portuguesa pode provocar queimaduras de terceiro grau. (Reprodução: Grupo Viver em Santos / Foto: Nilza Pieruzzi)

A pessoa que for ferida por uma caravela portuguesa não deve tentar remover os tentáculos, que ficarem presos na pele, de forma brusca. O mais indicado é não mexer no local. O local do ferimento, que é uma queimadura, deve ser lavada com a própria água do mar.



De acordo com o médico sanitarista, Tarcísio Borges Filho:

"A água doce provoca mais ardor e inchaço. Após lavar com água do mar, deve ser feita uma compressa com vinagre, por dez minutos. Depois, voltar a lavar o ferimento na água do mar e fazer nova compressa com vinagre, por mais 30 minutos".

"Se persistir a dor, aplicar no local uma pasta feita com água do mar e bicarbonato de sódio - para absorver a substância tóxica. O bicarbonato pode ser substituído por talco simples ou farinha de trigo. Depois de secar, remova com uma espátula. Em casos mais graves, a vítima deve ser levada ao pronto-socorro", completa Tarcísio.



Consequências causadas pela Caravela Portuguesa

As principais consequências da ação da toxina da Caravela-portuguesa, no ser humano, são a dor intensa, a sensação de queimação, a presença de placas avermelhadas e bolhas na pele. Em casos mais graves podem ocorrer manifestações sistêmicas como vômito, náusea, hipotensão arterial, convulsões, arritmia cardíaca, insuficiência respiratória e até mesmo a morte.

Qual a diferença entre água-viva e caravela do mar?

As diferenças visuais entre a água-viva e a caravela-portuguesa são as mais aparentes. Enquanto a água-viva é transparente e normalmente fica submersa é difícil de enxergar na água, as caravelas flutuam na água, são carregadas pelo vento e arrastadas pelas correntes marítimas, o que deixa bem aparente a sua bolsa de cor púrpura ou azulada.

Tanto a água-viva quanto a caravela-portuguesa são capazes de envenenar seres humanos através de seus tentáculos, que injetam uma substância tóxica, a partir de células microscópicas, o que causa dor e lesão semelhantes com a de uma queimadura.



O que acontece se furar uma caravela-portuguesa?

Nunca será indicado que você se aproxime de uma caravela-portuguesa mas, se por um acaso você furar a bolsa flutuante de uma caravela portuguesa que esteja encalhada na praia, ela provavelmente vai murchar. O mais provável é que você se queime no caso de contrariar as orientações de segurança.

(Divulgação)

O que acontece se tocar em uma caravela?

A caravela-portuguesa possui células urticantes com toxinas paralisantes por todo o corpo, células estas que são mais concentradas na região dos tentáculos. Diante disse, o mais provável que aconteça caso você toque em uma caravela portuguesa, são queimaduras que podem chegar até o terceiro grau.

Como dito pelo médico sanitarista, Tarcísio Borges Filho, se você encosta em uma caravela-portuguesa e se queimar o mais indicado é lavar o local da queimadura "com água do mar, deve ser feita uma compressa com vinagre, por dez minutos. Depois, voltar a lavar o ferimento na água do mar e fazer nova compressa com vinagre, por mais 30 minutos".



"Se persistir a dor, aplicar no local uma pasta feita com água do mar e bicarbonato de sódio - para absorver a substância tóxica. O bicarbonato pode ser substituído por talco simples ou farinha de trigo. Depois de secar, remova com uma espátula. Em casos mais graves, a vítima deve ser levada ao pronto-socorro".

O que fazer se encontrar uma caravela?

O mais indicado a se fazer caso encontre uma caravela-portuguesa é manter distância e, assim que possível, avisar o guarda-vidas mais próximo a você. Existem autoridades e ongs capacitadas a lidar com este problema, portanto, siga as recomendações.

Caravela-portuguesa e Dragão Azul são rivais nos mares Caravela-portuguesa e Dragão Azul (Reprodução Costa Norte)

O predador Dragão Azul

A recente aparição de um dragão azul na Riviera de São Lourenço, bairro da cidade de Bertioga, no litoral de SP, aguçou a curiosidade dos interessados pela vida marinha. O molusco foi avistado pela arquiteta Dalma Mesquita Ferreira enquanto caminhava pela faixa de areia neste feriado de 7 de setembro.



Dragão Azul flagrado na praia da Riviera de São Lourenço Dragão Azul da Dalva (Arquivo pessoal/Dalva)

Por não ser comum, o dragão azul acabou sendo confundido com uma das suas principais presas, a caravela-portuguesa. Os animais estão relativamente distantes em suas classificações científicas.

Vamos explicar aqui as características e os cuidados que se devem ter com cada um deles mas já adiantamos, um é comida do outro, no caso, a caravela-portuguesa é alimento do dragão azul.

Dragão Azul

O dragão azul, cientificamente chamado de Glaucus atlanticus, é uma espécie de lesma-do-mar e é pelágico, ou seja, um ser vivo que nada livremente pelos oceanos. Ele mede em torno de 4 centímetros e destaca-se pela forma e coloração.



Apesar de ser pequeno, o dragão azul é predador de bichos maiores como a caravela-portuguesa e a água-viva.

Dragão Azul é um grande apreciador da caravela-portuguesa Dragão Azul (Reprodução Internet/Arquivo Pessoal)

Ele é imune à toxina da caravela-portuguesa e, à medida em que se alimenta destes outros animais, o dragão azul acumula e potencializa seu veneno. Por conta do seu pequeno tamanho e o fato de viver longe da costa, apesar do veneno acumulado, o Dragão Azul não é tão perigoso para seres humanos.

Qual o perigo do dragão azul?

O perigo dos dragões azuis vem da sua capacidade de injetar células urticantes (nematocitos) na pele dos seres humanos. Apesar disso e, como já dito, por conta de seu tamanho e por viver longe da costa, o risco de acidentes é baixo.



Na verdade, quem deve temer o dragão azul é a caravela-portuguesa, principal item de sua dieta. O dragão armazena a toxina da caravela em sacos especializados que ficam nas pontas dos seus apêndices.

Onde vive o 'Dragão Azul'?

O Glaucus atlanticus, conhecido por lesma do mar ou dragão azul, é visto com maior recorrência na costa da Europa, África, água subtropical e tropical.

O dragão azul flutua na superfície dos oceanos, de boca para baixo e é predador de organismos maiores, como, por exemplo, as águas-vivas caravelas. Sua imunidade à toxina das caravelas permite que ele não só se alimente delas como armazene e potencialize seu veneno para uso próprio, mas devido a pequena quantidade, não é perigoso para os humanos. 



O dragão azul existe em todos os mares de regiões temperadas e tropicais inclusive no litoral brasileiro. Muito raramente são arrastados por fortes ventos e correntezas e acabam indo parar em alguma praia, como esse da foto, encontrado e fotografado pela minha mãe durante uma caminhada, em setembro do ano passado.

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