
O ritual de acasalamento dos caranguejos-uçá, a famosa andada, acontece em dias consecutivos nos meses de verão pesqueiros e essencial para as populações de caranguejo-uçá, é muito comum a prática da pesca predatória da espécie, feita por pescadores amadores e não-pescadores. Contra esse tipo de prática, o Instituto Maramar, com apoio da Fundação Florestal, por meio da Área de Proteção Ambiental Marinha Litoral Centro (APAMLC) e da Polícia Militar Ambiental, lançou a campanha de educação ambiental Deixe o Caranguejo-Uçá Namorar.
A ação objetiva enfrentar o problema e ajudar na conscientização da população. Para isso, durante as datas de grandes marés, quando há abundância de caranguejos nas imediações dos manguezais, técnicos do Maramar estarão em campo divulgando a campanha, por meio da distribuição de materiais de comunicação para comerciantes locais e organizações que desejarem associar suas marcas à causa e atuar pela proteção à biodiversidade.
Como área demonstrativa para iniciar os trabalhos, foram escolhidos os manguezais do Canal de Bertioga, que correspondem à cerca de metade de toda a área do mesmo tipo na Baixada Santista. São territórios pesqueiros que apresentam uma produtividade biológica acima da média na região, o que atrai um número elevado de pescadores locais e de diferentes bairros vizinhos.
O diretor do Instituto, Fabrício Gandini explica que a pesca do caranguejo-uçá somente deve ser feita por profissionais que possuem autorização especial para captura dessa espécie. “Essa cultura (de pesca) já não é mais tão inocente, porque nós acreditamos que saiam 150 a 200 mil caranguejos por estas mãos, que não são de profissionais. Isso derruba o preço e acaba com o estoque”, afirma.
Os princípios norteadores da campanha são:
– Não praticar a pesca predatória, respeitar o ciclo de vida e o período de reprodução das espécies;
– Não comprar nem vender caranguejo pescado de maneira ilegal;
– A pesca deve ser feita apenas por pescadores.
Foto: Mayra Jankowsky