
Tida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como indicador de ações na área de saúde pública e condições de vida de uma população, a taxa de mortalidade infantil (TMI) na Baixada Santista é alarmante. Recente estudo da Fundação Seade, com base nos dados de Cartórios de Registro Civil, indica que, em 2016, a região teve o maior risco de morte infantil, com índice 27% superior à média do estado. Pela pesquisa, houve 10,9 óbitos por mil nascidos vivos no estado, contra 13,8, na região – conforme a OMS, as cidades deveriam ter desempenho de até 10 óbitos por mil nascidos vivos. Em Bertioga, o índice foi de 12,7 e, para reverter esse quadro, o município desenvolve uma série de ações que, de acordo com a prefeitura, já apresentam resultados positivos.
Algumas mudanças adotadas este ano, como a realização de testes rápidos de HIV, hepatites B e C e sífilis, nas Unidades Básicas de Saúde, além de resultados urgentes em exames para grávidas, foram apontadas como fatores de reforço à saúde da gestante e do bebê, pela pediatra Irenesbete Gomes, coordenadora do Programa Materno Infantil de Bertioga e presidente do Comitê Especial de Prevenção à Mortalidade Materno, Fetal e Infantil da cidade. A importância da agilidade nos exames é reforçada para que a mulher prossiga adequadamente com o pré-natal e, em casos positivos de doenças, trate a tempo de evitar a mortalidade.
A pediatra conta que, no período de janeiro a agosto deste ano, de quatro óbitos fetais registrados na cidade, dois foram ocasionados por sífilis congênita - quando é transmitida de mãe para filho. A doença é uma infecção grave e pode ocasionar malformação do feto, aborto ou morte, quando o bebê nasce gravemente doente. Caso seja detectada e tratada durante o pré-natal, tanto pela mulher quanto por seu parceiro, é possível evitar a transmissão.
Apesar dos trabalhos das equipes de saúde, para a conscientização e acompanhamento pré-natal, há casos em que ele é abandonado, mesmo quando há alto risco. Irenesbete conta que, normalmente, a prefeitura não pode obrigar a gestante ao tratamento, no entanto, há casos específicos que, devido à possibilidade iminente de causar a morte do bebê, podem ter intervenção por meio do Conselho Tutelar, conforme destaca a pediatra. “A vida não é só deles, é da criança também”.
Outra ação adotada para o acompanhamento das gestantes foi a criação de grupos de Whatsapp, que estreitaram a relação entre as equipes de enfermagem em algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e as gestantes. “Isso se chama vínculo. A monitorização da enfermeira está sendo 24 horas com essas gestantes, todos os dias, e não uma vez por mês”, destacou Irenesbete.
Conforme preconiza o sistema metropolitano de saúde, em situações de média e alta complexidades, é realizado o encaminhamento de gestantes para as unidades ambulatoriais e hospitalares regionais. A assistência da mulher e da criança é realizada pela Secretaria de Saúde de Bertioga conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, estabelecidas na Rede Cegonha.
Baixada Santista
Para reduzir os índices de mortalidade infantil, o Departamento Regional de Saúde (DRS) da Baixada Santista informou que tem executado ações e traçado medidas, com auxílio dos municípios. Conforme destacou, houve uma redução na TMI entre os anos de 2015 e 2016, quando passou de 14,6 para 13,8 óbitos de menores de um ano a cada mil nascidos vivos. Em resposta, também apontou que a queda é mais expressiva no período de 2000 a 2015, quando a mortalidade infantil caiu 34% na Baixada Santista. “O aprimoramento da assistência ao parto e à gestante, o incentivo ao aleitamento materno, a ampliação do acesso ao pré-natal, a expansão do saneamento básico, e a vacinação em massa de crianças pelo SUS (Sistema Único de Saúde) são os principais motivos para a queda na taxa de mortalidade infantil na região”, afirmou.
Outra ação adotada pelo DRS é o Pacto Regional para a Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil na Região da Baixada Santista – compromissos renovados, firmado em 2014 com os gestores municipais. Da medida consta um plano de ações conjuntas articuladas entre diversos setores, “pois o assunto não está relacionado unicamente à saúde pública, uma vez que a causa da mortalidade infanto-juvenil é multifatorial e está vinculado a questões sociais, econômicas e educacionais, por exemplo”, esclareceu o departamento.
Das cidades da região, comparados os anos de 2015 e 2016, Mongaguá obteve o melhor desempenho e reduziu sua TMI de 22,3 para 8. Procurada, a prefeitura informou que mantém ações de saúde às gestantes nas oito Unidades de Saúde da Família (USF's), e reforça a orientação, exames, acompanhamentos e medicação para tratamentos diversos, durante o período gestacional. A cidade também conta com a Unidade de Saúde da Mulher e o Hospital e Maternidade Drª. Adoniran Correia Campos, para atenção especial às gestantes.
A prefeitura destaca que, “em um panorama local e regional, os índices apontam que Mongaguá e região devem manter a atenção contínua e orientar as gestantes para realizar todo o pré-natal de forma correta, não consumir bebidas alcoólicas, tabaco, narcóticos ou demais substâncias que prejudicam o feto, controlar a pressão arterial, ter uma alimentação balanceada para evitar alto índice glicêmico ou a desnutrição, além de uma atitude simples que é não segurar a urina, que pode criar uma infecção urinária, afetando a formação da criança”.
Bertioga Mayumi Kitamura
Foto: Marcos Pertinhes