Mogi-Bertioga

Audiência de acusados pela morte de universitários é suspensa

Após dois anos do acidente, que vitimou 18 pessoas, a apresentação de dois laudos diferentes confundiu a promotoria


Marina Aguiar
Publicado em 03/08/2018, às 11h11 - Atualizado em 23/08/2020, às 17h11

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Proprietária e sócio-proprietário foram interrogados na tarde de quinta-feira, 2 - JCN
Proprietária e sócio-proprietário foram interrogados na tarde de quinta-feira, 2 - JCN


Os três acusados pela morte de 17 universitários e o motorista de um ônibus da empresa União do Litoral passaram por interrogatório no Fórum de Bertioga, na tarde de quinta-feira, 2. A proprietária Daniela de Carvalho Soares Figueiredo, o sócio-proprietário Fernando Antonio Resende e o gerente de manutenção Adriano André do Vale participaram de audiência que, segundo o advogado de defesa Antonio Martinho, foi suspensa devido à apresentação de dois laudos diferentes.

O primeiro laudo foi realizado pelo Instituto de Criminalística (IC) e indicou excesso de velocidade e deficiência nos freios, causada por desgaste excessivo. O segundo laudo foi apresentado pela empresa União do Litoral e contesta a maneira como foi aferida a ausência de freio na roda do coletivo. Martinho afirmou que a promotoria não se sentiu segura para pedir a condenação dos réus. "Ela [promotoria] pediu que fosse re-inquerido o perito que fez o laudo do instituto de criminalística. Agora vão ser juntados novos depoimentos do perito, juntados documentos pedidos para a prefeitura de São Sebastião e, novamente, a inserção dos acusados, porque a audiência foi suspensa para que esses documentos venham aos autos".

O advogado de doze famílias afetadas pelo acidente, José Beraldo, afirmou que houve total negligência, imprudência e imperícia da empresa. "A acusada [proprietária] disse que o que vale é o laudo dela. O primeiro laudo diz que houve o rompimento do tambor, ou seja, era uma peça sucateada, ultrapassada, falida. O ônibus não mantinha revisão.", declarou. Beraldo acusou também a prefeitura de São Sebastião, por negligência. "O prefeito fez um contrato com os estudantes, que eram pobres, filhos de trabalhadores simples. Quando eles se formassem, prestariam serviço à prefeitura, não era de graça o transporte. O prefeito foi negligente em não fiscalizar os veículos", afirmou. Beraldo encaminhou à prefeitura um requerimento no qual solicita  informações, que serão, posteriormente, acrescentadas aos autos. Ainda não há data definida para a nova audiência.



O acidente

No dia 8 de junho de 2016, um ônibus da União do Litoral trazia 46 estudantes da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e Braz Cubas (UBC) quando tombou no km 84 da rodovia Mogi-Bertioga, após ter saído de Mogi das Cruzes com destino a São Sebastião. Morreram 17 estudantes e o motorista. Os demais ficaram feridos.

O motorista perdeu o controle do veículo e colidiu de frente com um rochedo, na pista contrária. A maioria dos estudantes tinha entre 20 e 22 anos e estava dormindo no momento do acidente. 



Imagem acervo site

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