Jornal Costa Norte - 19 de maio de 2013 · Edição especial de emancipação: Bertioga 22 anos 52
A Bertioga Boraceia reserva um cantinho especial da cidade, no qual as tradições de um povo perpetuam, calcadas na agricultura, no artesanato e no respeito à natureza.
“Graças a Nhanderu (Deus Trovão), aqui na aldeia estamos seguros, porque temos terra para morar e para plantar, natureza, caça para nossa subsistência, rios, espaço para andar, nossa casa de reza e muitas outras coisas. Mas não podemos nos acomodar. É preciso lutar sempre, fortalecer os nossos jovens para que a nossa cultura não caia no esquecimento e seja banida de vez.”
A fala é do cacique Adolfo Timóteo, líder da Terra Indígena Ribeirão Silveira, localizada em Boraceia, na divisa com São Sebastião.
Diferentemente dos índios de outras regiões, os de Bertioga estão realmente seguros. É que, após 20 anos de luta, o processo de demarcação da terra ocupada por eles agora aguarda apenas a homologação do decreto pela presidente da República, Dilma Rousseff, segundo o técnico indigenista Márcio José Alvim do Nascimento.
A última etapa vencida foi o levantamento fundiário para identificação das áreas ocupadas por não índios (cerca de 25 propriedades), concluída em dezembro passado.
Márcio Alvim atua na Funai (Fundação Nacional do Índio) há 32 anos, 25 deles em Bertioga. Ele acompanhou todo o árduo processo e comemora:
“Foi uma batalha.”
O líder espiritual Egino Chaapeí durante o lançamento do CD e DVD Guardiões Guarani, em São Paulo. Foto: Dirceu Mathias
O povo guarani ocupa uma área de 8.500 hectares, onde vive uma população de 520 pessoas, mantenedoras de suas tradições, como a língua, as danças, os rituais e a casa de reza.