Após pico em janeiro, chamadas falsas caíram em 2,69% em março; ainda assim, Secretaria de Saúde de Santos registrou 546 trotes no mesmo mês

O número de trotes ao Samu de Santos, no litoral paulista, apresentou queda nos meses mais recentes, mas ainda preocupa os profissionais da saúde. Segundo a prefeitura, em janeiro, 10,2% das ligações recebidas pela central telefônica foram identificadas como falsas. Desde então, a equipe do Núcleo de Educação Permanente (NEP) intensificou as ações de conscientização, com resultados visíveis, embora insuficientes.
Em fevereiro, dos 6.230 atendimentos, 570 eram trotes — 8,47% do total. Em março, o número caiu para 546, no montante de 6.523 chamadas (7,51%), o que representa uma queda de 2,69% em relação ao primeiro mês do ano. Apesar da redução, os dados mostram que centenas de atendimentos ainda comprometem o funcionamento do sistema de urgência.
A Central do Samu de Santos também responde por ligações vindas de Bertioga e Guarujá. O secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez, alerta sobre os riscos: “É um desperdício de recursos e uma situação perigosa. A cada trote atendido, há uma chance de que alguém com uma emergência real aguarde por mais tempo”.
O atendimento pelo número 192 é gratuito. A ligação é recebida por um técnico auxiliar de regulação médica, que coleta informações como nome, endereço e tipo de ocorrência. Em seguida, um médico regulador define a gravidade do caso e classifica o atendimento em cinco níveis: vermelho (em até 15 minutos); laranja (30); amarelo (60); verde (120) e azul (acima de quatro horas). A solicitação é então repassada ao rádio operador, responsável pelo envio das ambulâncias.
O coordenador do Samu, Marcelo Ismail, afirma que a atuação do NEP tem surtido efeito, especialmente entre o público infantojuvenil. “Acreditamos que esse trabalho do NEP está contribuindo para a queda de trotes realizados por crianças, mas ainda registramos trotes vindos de pessoas carentes de atenção no período da madrugada”, diz o coordenador.
Entre as situações que justificam o acionamento do Samu estão: problemas cardiorrespiratórios; intoxicações; queimaduras graves; afogamentos; acidentes com vítimas; tentativas de suicídio; surtos psiquiátricos e violência sexual. Em muitos casos, há atuação conjunta com o Corpo de Bombeiros (193) e a Polícia Militar (190).
Atualmente, o Samu de Santos conta com bases em diversos bairros, como Boqueirão; Rádio Clube; Nova Cintra; Caruara; São Manoel; Encruzilhada; Vila Mathias; Ponta da Praia; Zona Leste e Castelo.