Alunos reivindicam mudança do nome da avenida Leomil


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Publicado em 10/11/2017, às 12h21 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h57

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Estudantes do 5º ano apresentaram pedido ao presidente do Legislativo e sugeriram que seja alterado para avenida 20 de Novembro

Um pedido inusitado chegou à Câmara na quinta-feira, 9. Os alunos do 5º ano da Escola Municipal Professora Myriam Terezinha Wichrowski Millbourn, no Jardim Boa Esperança, solicitaram ao presidente do Legislativo, o vereador Edilson Dias que mudem o nome da avenida Leomil para avenida 20 de Novembro, data em que é comemorado o Dia da Consciência Negra.

A mobilização é resultante do projeto ‘Se essa rua fosse minha’, em que os alunos pesquisaram a história das personalidades que dão nomes às ruas de Guarujá. Em seus estudos, eles descobriram que Valêncio Teixeira Leomil, que dá nome à rua na Pitangueiras, seria um antigo feitor de escravos que morou na cidade, no final do século 19. O feitor também teria conseguido a concessão da ligação férrea da cidade, mas enriqueceu com apropriação de terras e comércio de escravos, além de ter assassinado um marinheiro inglês.

Uma das responsáveis pelo desenvolvimento da iniciativa, a professora Ademara Aparecida de Jesus Santos explica: "Os registros históricos contam que ele foi absolvido no julgamento, mas a comunidade não aceitou o fato, forçando o governo a pedir o seu exílio".

Ao descobrirem a história, os alunos promoveram um abaixo-assinado e receberam o apoio de mais de 300 pessoas. O documento foi entregue durante o encontro na Câmara. No texto, os alunos destacam o Art. 1º da Lei Federal 12.781/2013, que diz que: "É proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União ou às pessoas jurídicas da administração indireta".

O presidente da Câmara comprometeu-se a discutir com os vereadores a reivindicação feita pelos estudantes. Disse ele: "Considero justo o pedido, mas temos que observar a Lei Orgânica Municipal, que prevê alguns trâmites para a mudança de nome de logradouro". Edilson Dias elogiou a iniciativa dos alunos e, principalmente, o trabalho desenvolvido pela equipe educacional da EM Myriam Terezinha. "É bonito ver crianças lutando por cidadania e justiça. Racismo é crime e devemos combate-lo sempre", afirmou Edilson Dias.

Conforme apuraram os alunos, Valêncio Teixeira Leomil era possuidor de extensa área localizada entre a praia do Perequê e o Canal de Bertioga, sobre a qual se apropriou. Em 1890, ele solicitou à Câmara de Santos os direitos de uso sobre largas áreas da ilha e concessão por uma ligação férrea a ser construída entre o estuário e a sua propriedade. Dois anos depois, em 1892, Valêncio Leomil vendeu seus direitos de uso aos empresários paulistanos Elias Chaves e Elias Pacheco, que por sua vez fundaram a Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro.



Guarujá Da redação

Foto: Divulgação

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