Pesquisa do Creci-SP mostra avanço no valor das diárias no litoral norte e centro, enquanto litoral sul mantém perfil mais econômico para famílias

O mercado de locação de temporada nas praias do litoral de São Paulo registrou comportamentos distintos nas férias de julho de 2026, com alta expressiva nas diárias do litoral norte, e valorização também em cidades da Baixada Santista, enquanto o litoral sul manteve perfil mais acessível para famílias que buscam economia.
O levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), feito com 34 imobiliárias do estado, aponta um consumidor mais criterioso, atento ao custo-benefício e mais seletivo na escolha do imóvel e do destino.
Na pesquisa litoral norte, que reúne as cidades de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Bertioga, esta última da Baixada Santista, o destaque ficou com os imóveis de maior padrão, sobretudo apartamentos amplos.
As diárias de apartamentos de três dormitórios saltaram de R$790 para R$1.890, alta de 139,24%, enquanto os de quatro dormitórios passaram de R$1.090 para R$4.300, avanço de 294,49%.
Nas casas, o cenário foi mais equilibrado: imóveis de um, dois e três dormitórios valorizaram, com diárias entre R$450 e R$1.530, mas as casas de quatro dormitórios recuaram 22,85%, de R$2.450 para R$1.890. Segundo a pesquisa, o movimento indica preferência crescente por condomínios verticais com lazer, segurança e infraestrutura completa.
Na pesquisa litoral centro, formado por cidades da Baixada Santista, a valorização se concentrou nos apartamentos. Os imóveis de dois dormitórios tiveram o maior salto da região, com alta de 166,66%, saindo de R$480 para R$1.280.
Por outro lado, os apartamentos de um dormitório subiram de R$387 para R$490, e os de três dormitórios, de R$1 mil para R$1,4 mil. Entre as casas, a maior alta ocorreu nos imóveis de três dormitórios, cuja diária passou de R$1.325 para R$1.800. Em contrapartida, as casas de quatro dormitórios registraram retração de 18,96%, comportamento semelhante ao observado no litoral norte.
Já na pesquisa litoral sul, que inclui Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, permaneceu como alternativa mais econômica para quem pretende viajar em grupo ou com a família. As casas de dois dormitórios subiram de R$390 para R$650, valorização de 66,66%, e os imóveis de quatro dormitórios chegaram a R$1.160 por diária.
Por outro lado, todos os segmentos de apartamentos tiveram redução de preços. As diárias ficaram em R$215 para apartamentos de um dormitório, R$375 para dois dormitórios e R$540 para três dormitórios, com quedas entre 10% e 20%. O dado sugere migração da demanda para imóveis horizontais durante o inverno.
De acordo com o Creci-SP, o cenário reflete mudanças no comportamento do consumidor, que passou a comparar infraestrutura, localização, conforto e preço antes de fechar negócio.
O levantamento aponta que a desaceleração da inflação, o peso do orçamento doméstico, a busca por viagens em família e o interesse por imóveis com melhor estrutura influenciaram diretamente a formação dos preços neste ano. Também houve fortalecimento do turismo regional e da procura por imóveis amplos, especialmente em cidades litorâneas com boa oferta de lazer e serviços.
A pesquisa também mostra que as locações de temporada seguem cada vez mais digitalizadas, com predominância de pagamentos por Pix, transferência bancária, cartão de crédito e boleto, além de contratos formais, caução e vistorias como mecanismos de segurança.
Para o Creci-SP, a atuação de corretor credenciado se mantém como fator importante para reduzir riscos, orientar sobre documentação e evitar fraudes em um mercado que movimenta milhares de turistas nas férias escolares e impacta diretamente a economia das cidades do litoral paulista.